Mocidade e Grande Rio levantam o público na Sapucaí exaltando os orixás

Mocidade e Grande Rio levantam o público na Sapucaí exaltando os orixás
Ala de Baianas da Mocidade

Por Luis Leite

Com o enredo “Batuque ao Caçador”, a Mocidade Independente de Padre Miguel abriu o penúltimo dia de ensaios técnicos do Grupo Especial deixando toda a Marquês de Sapucaí “areretizada”.

Aproximadamente cerca de 2.500 componentes cantaram e evoluíram leves e soltos, impulsionados pelo carro de som e pela bateria Não Existe Mais Quente. Todas as alas carregavam adereços como balões, lenços, velas e bastões, um deles com luz de led proporcionando um efeito visual.

Antes do início do desfile, o intérprete Wander Pires prestou homenagem ao saudoso Ney Vianna, morto em 1989, com o samba “Ziriguidum 2001”. O sambista foi a voz da escola durante muitos anos.

A Verde Branco de Padre Miguel exaltará seu padroeiro Oxóssi, que para a Igreja Católica é simbolizado como São Sebastião.

Uma faixa foi estendida na frente da escola com os dizeres: “A areretização está só começando”.

A comissão de frente, comandada pelos coreógrafos Jorge Teixeira e Saulo Finelon, trouxe 13 bailarinos com os rostos pintados e pena na cabeça representando o homenageado. Em alguns momentos da exibição os integrantes faziam referências ao orixá com flexões de braço simulando um arco e flecha nas mãos.

O primeiro casal de mestre–sala e porta-bandeira, Diogo Jesus e Bruna Santos, além da coreografia oficial, acrescentou durante a sua performance passos de dança afro.

A rainha Giovana Angélica foi a sensação durante o ensaio. Com um figurino preto em detalhes verdes colado ao corpo, a beldade se destacou e retribuiu o carinho com beijos.

O destaque também foi a bateria de mestre Dudu, que teve a participação especial do cantor Carlinhos Brown, um dos compositores do samba tocando timbal à frente dos ritmistas.

Segundo Dudu, a bateria virá com 276 componentes com andamento entre 142 e no máximo 144 BPM e fará quatro bossas dentro da melodia do samba.

Com todo seu remelexo passistas encantam o público Sapucaí.

Grande Rio firma o ponto na avenida

Fechando a noite de domingo, atual vice-campeã do carnaval carioca Grande Rio, mostrou a força e valentia no canto. Os componentes extremamente pulsantes estavam com a letra do samba na ponta da língua e cantavam harmonicamente bem alto o hino, com destaque ao refrão principal. A evolução foi satisfatória ao longo do ensaio, mesmo com as oscilações provocadas pela falta de som no decorrer da avenida, porém nos últimos minutos a escola deu uma forte acelerada para preencher o espaço entre as alas.

Com a temática afro, a Tricolor de Caxias traz para avenida o enredo “Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu”, contando as histórias e manifestações culturais ligadas à simbologia da divindade do candomblé, assinado pelos dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.

Abrindo os caminhos, a comissão de frente, mesclado de homens e mulheres, representou Exus e pombas gira. Com uma apresentação especial para a ocasião, os integrantes fizeram apenas 60% da coreografia oficial, arrancando aplausos do público.

Além do enorme bandeirão nas cores verde, vermelho e branco com algumas frases “Boa noite, moça, boa noite moço” e “Fala Majeté” agremiação também trouxe um tripé alegórico com um destaque no alto interpretando Exu Bará africano.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Daniel Werneck e Taciana, com seu exuberante figurino, simbolizando o Oráculo de Ifá, mostrou bastante intensidade e leveza nos movimentos.

Balançando as arquibancadas, a bateria de mestre Fafá deu um show à parte, entre uma das suas convenções os ritmistas paravam de tocar levantando os instrumentos para o alto e em seguida o som dos atabaques sustentava o ritmo em cima do refrão do samba. 

Com os seios cobertos de adesivos e as nádegas de fora, a rainha Paolla Oliveira abrilhantou mais uma vez atraindo multidões de fãs . A atriz esbanjou carisma e samba no pé ao lado do namorado, o cantor Diogo Nogueira.

No giro da saia rodada

Trajada de elegância com rosa vermelha nas mãos, a Ala de Baianas comandada por mãe Marilene foi muito aplaudida durante sua passagem na avenida.

Outro destaque ficou por conta da Ala de Passistas da Grande Rio: os passistas masculinos fizeram coreografias ao lado das passistas com pandeiros.

No sábado (02), mais três escolas de samba do Grupo da Série Ouro Liga RJ realizaram seus ensaios técnicos na Sapucaí

A primeira escola a passar na avenida foi a Acadêmicos de Vigário Geral com o enredo “Pequena África: da escravidão ao pertencimento, camadas de memórias entre o mar e o morro”, dos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Sales e Marcus do Val.

Apesar de um bom samba, a escola precisa aprimorar alguns detalhes entretanto, as últimas alas, após a passagem do carro de som, ainda podem evoluir mais nesse quesito. A comissão de frente com passos marcados e coreografias muito bem definidas representando a ancestralidade negra foi um dos destaques.

Com figurino inspirado na realeza africana, a rainha de bateria Egili Oliveira brilhou à frente dos ritmistas.

União da Ilha abençoando avenida

Logo em seguida foi a vez da União da Ilha com o enredo em homenagem à Nossa Senhora Aparecida, os desfilantes cantaram o samba com muita intensidade.  A grande surpresa da noite foi um enorme sino de igreja na frente da bateria que remete o toque marcado pelo andamento do samba. Ito Melodia mais uma vez trouxe a empolgação de sempre expressando com sua voz a grande emoção. Dessa vez ele não incorporou.

A comissão de frente com parte da coreografia oficial, trouxe homens negros com vestes surradas simbolizando um dos milagres da santa.

Paixão que arde sem parar

Encerrando a noite, a Estácio de Sá, mostrou muita competência nos quesitos evolução e harmonia. Com o andamento bastante envolvente, o canto forte dos componentes prevaleceu durante todo o desfile em uma única voz.

Ótima atuação também foi do intérprete Serginho do Porto em sintonia com a bateria Medalha de Ouro do mestre Chuvisco.

A escola em 2022, vai reeditar o enredo de 1995 “Cobra Coral, Papagaio Vintém #VestiRubroNegro Não Tem Pra Ninguém”, em homenagem ao Flamengo. O tema está sendo desenvolvido pela dupla de carnavalescos formada por Mauro Leite e Wagner Gonçalves.

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