Império Serrano define samba-enredo para 2026
Por Luis Leite
A obra vencedora é assinada por Hamilton Fofão, Dudu Senna, Leandro Maninho, Cláudio Russo, Lico Monteiro, Jorginho da Flor, Silvio Romal e Marco Aurélio. O troféu entregue à parceria campeã traz, inclusive, o nome do poeta Aluísio Machado — maior vencedor de sambas-enredo da história da nação imperiana.
A Verde e Branco da Serrinha levará para a Avenida o enredo “Ponciá Evaristo – Flor do Mulungu”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteves, em homenagem à escritora Conceição Evaristo, um dos maiores nomes da literatura brasileira.

No ensejo, a cabrocha Andressa Fonseca foi anunciada oficialmente como a nova princesa da escola. Pega de surpresa, a beldade recebeu a faixa e a coroa das mãos da coordenadora da Ala de Passistas, Caroline Cardoso, em uma cerimônia marcada pela emoção.

A noite contou ainda com a presença da rainha Quitéria Chagas, que encantou à frente dos ritmistas com muito carisma e samba no pé.
No próximo ano, o Reizinho de Madureira será a quarta escola a desfilar na Marquês de Sapucaí, no dia 14 de fevereiro, pela Série Ouro.
Confira a letra do samba-enredo campeão:
Sou eu, a flor do mulungu
Brilham os olhos d’água
Orayeyê! É de mamãe Oxum!
Sou Ponciá consagrada
Entregue às palavras e ao axé das ancestrais
Se tempos atrás ecoavam vozes do porão
Hoje reescrevo a história
Poesia a despertar nas pretas mãos
Nos becos da minha memória
Meu verbo é ouro de aluvião
Meu verso é barro de artesão
Pra Folia de Reis, chama vô e chama tio
Na Folia de Reis, vou vivendo por um “Fio”
Ô Lê Lê, lá vem batuque, pra cangira começar
Angorô, vira menino! Angorô, não vou virar!
Não é fácil emergir nesse contraste
Benevuto, a maldade, não quer me ver sorrir
No refúgio desses becos e vielas
De mãos dadas com Sabela
Eu só quero ser feliz
O Rio que me acolheu me ensinou também a florir
Vi muita gente de lá no rosto negro do povo daqui
Sou eu quem dá voz à caneta que silencia o fuzil
Me torno imortal no livro Brasil!
Malungo! Que Negro-estrela possa ser reconhecido
Sem o choro de um futuro interrompido
Por todo preto, escreviver!
A gente combinamos de não morrer! (Combinamos de não morrer!)
É Kizomba de preta literatura!
É escrita sem censura no Império a florescer!
Casa de preto também é academia
Serrinha! Ponciá Yalodê!
