Império Serrano define samba-enredo para 2026

Império Serrano define samba-enredo para 2026
Enredo exalta à escritora Conceição Evaristo

Por Luis Leite

Em meio à quadra lotada, o Império Serrano, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio, definiu na manhã deste domingo (19) o seu hino oficial para o Carnaval 2026.

A obra vencedora é assinada por Hamilton Fofão, Dudu Senna, Leandro Maninho, Cláudio Russo, Lico Monteiro, Jorginho da Flor, Silvio Romal e Marco Aurélio. O troféu entregue à parceria campeã traz, inclusive, o nome do poeta Aluísio Machado — maior vencedor de sambas-enredo da história da nação imperiana.

A Verde e Branco da Serrinha levará para a Avenida o enredo “Ponciá Evaristo – Flor do Mulungu”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteves, em homenagem à escritora Conceição Evaristo, um dos maiores nomes da literatura brasileira.

Antes do início da disputa entre as quatro composições finalistas, o Elenco Show da agremiação animou o público com grandes clássicos interpretados por Vitor Cunha, acompanhado da Bateria Sinfônica do Samba, comandada pelo Mestre Felipe Santos.

Foto: Willian Shampoo/Divulgação

No ensejo, a cabrocha Andressa Fonseca foi anunciada oficialmente como a nova princesa da escola. Pega de surpresa, a beldade recebeu a faixa e a coroa das mãos da coordenadora da Ala de Passistas, Caroline Cardoso, em uma cerimônia marcada pela emoção.

Foto: Roberto Filho/Divulgação

A noite contou ainda com a presença da rainha Quitéria Chagas, que encantou à frente dos ritmistas com muito carisma e samba no pé.

No próximo ano, o Reizinho de Madureira será a quarta escola a desfilar na Marquês de Sapucaí, no dia 14 de fevereiro, pela Série Ouro.

Confira a letra do samba-enredo campeão:

Sou eu, a flor do mulungu

Brilham os olhos d’água

Orayeyê! É de mamãe Oxum!

Sou Ponciá consagrada

Entregue às palavras e ao axé das ancestrais

Se tempos atrás ecoavam vozes do porão

Hoje reescrevo a história

Poesia a despertar nas pretas mãos

Nos becos da minha memória

Meu verbo é ouro de aluvião

Meu verso é barro de artesão

Pra Folia de Reis, chama vô e chama tio

Na Folia de Reis, vou vivendo por um “Fio”

Ô Lê Lê, lá vem batuque, pra cangira começar

Angorô, vira menino! Angorô, não vou virar! 

Não é fácil emergir nesse contraste

Benevuto, a maldade, não quer me ver sorrir

No refúgio desses becos e vielas

De mãos dadas com Sabela

Eu só quero ser feliz

O Rio que me acolheu me ensinou também a florir

Vi muita gente de lá no rosto negro do povo daqui

Sou eu quem dá voz à caneta que silencia o fuzil

Me torno imortal no livro Brasil!

Malungo! Que Negro-estrela possa ser reconhecido

Sem o choro de um futuro interrompido

Por todo preto, escreviver!

A gente combinamos de não morrer! (Combinamos de não morrer!)

É Kizomba de preta literatura!

É escrita sem censura no Império a florescer!

Casa de preto também é academia

Serrinha! Ponciá Yalodê!


 

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