OBatuque - Morre o compositor e escritor Aldir Blanc

Morre o compositor e escritor Aldir Blanc Destaque

Publicado em Grupo Especial
Segunda, 04 Maio 2020 09:30
Autor de 'O Bêbado e a Equilibrista', artista de 73 anos escreveu algumas das canções mais famosas da música brasileira Autor de 'O Bêbado e a Equilibrista', artista de 73 anos escreveu algumas das canções mais famosas da música brasileira Foto/Divulgação

Por Luis Leite

Morreu na madrugada desta terça-feira(04), o compositor e escritor Aldir Blanc, aos 73 anos, em decorrência do novo coronavírus. Ele estava internado no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio.

No dia 10 de abril, Aldir deu entrada na CER do Leblon com um quadro de pneumonia, pressão alta e infecção urinária. Uma semana depois, foi diagnosticado com a Covid-19.

Aldir Blanc Mendes nasceu no dia 02 de setembro 1946, no bairro do Estácio, berço do samba do Rio. Em 1966, ingressou na Faculdade de Medicina, especializando-se em psiquiatria. Em 1973, abandonou a medicina, passando a se dedicar exclusivamente à música.

Notabilizou-se como letrista a partir das parcerias com João Bosco, compondo músicas como "Bala com Bala" (sucesso na voz de Elis Regina), "O Mestre-Sala dos Mares", "De Frente Pro Crime" (sucesso na voz de Simone) e "Caça à Raposa".

Uma das canções mais conhecidas, em parceria com João Bosco, é "O Bêbado e a Equilibrista", lançada em 1979, que se tornou um hino contra a ditadura militar, também tendo sido gravada por Elis Regina.  Em um de seus versos, "sonha com a volta do irmão do Henfil", faz-se referência ao cartunista Henrique de Sousa Filho, o qual na época tinha um irmão, o sociólogo Betinho, em exílio político no exterior.

Em 1968, compôs com Sílvio da Silva Júnior "A noite, a maré e o amor", música classificada no III Festival Internacional da Canção (TV Globo).

No ano seguinte, classificou mais três canções no II Festival Universitário da Música Popular Brasileira: "De esquina em esquina" (com César Costa Filho), interpretada por Clara Nunes; "Nada sei de eterno" (com Sílvio da Silva Júnior), defendida por Taiguara; e "Mirante" (com César Costa Filho), interpretada por Maria Creuza.

Em 1970, no V Festival Internacional da Canção classificou-se com a composição "Diva" (com César Costa Filho). Neste mesmo ano, despontou o primeiro grande sucesso, "Amigo é pra essas coisas" em parceria com Sílvio da Silva Júnior, interpretado pelo grupo MPB-4, com o qual participou do "III Festival Universitário de Música Popular Brasileira".

A canção "Nação" (com João Bosco e Paulo Emílio) foi gravada em 1982 no disco de mesmo nome e foi um grande sucesso na voz de Clara Nunes.

Blanc também é autor, com Cleberson Horsth, da canção "A Viagem", sucesso gravado pela banda Roupa Nova e tema da novela com o mesmo nome, sucesso em 1994.

Em 1996 foi gravado o disco comemorativo Aldir Blanc - 50 Anos, com a participação de Betinho ao lado do MPB-4 em "O Bêbado e a Equilibrista" no disco comemorativo. Esse disco apresenta diversas outras participações especiais, como Edu Lobo, Paulinho da Viola, Danilo Caymmi e Nana Caymmi. O álbum demonstra, também, a variedade de parceiros nas composições de Aldir, ao unir suas letras às melodias de Guinga, Moacyr Luz, Cristóvão Bastos, Ivan Lins e outros.

Outro parceiro notável é o compositor Guinga, com quem fez, dentre muitas outras, "Catavento e Girassol", "Nítido e Obscuro" e "Baião de Lacan".

Também em 1996, Leila Pinheiro lançou o disco Catavento e Girassol, exclusivamente com canções da parceria de Aldir Blanc com Guinga. No disco há uma homenagem a Hermeto Pascoal, com a música "Chá de Panela", que diz que "foi Hermeto Pascoal que, magistral, me deu o dom de entender que, do riso ao avião, em tudo há som".

Em 2000, participou como convidado especial do disco do compositor Casquinha da Portela, interpretando a faixa "Tantos recados" (Casquinha e Candeia).

Publicou, em 2006 o livro Rua dos Artistas e transversais (Editora Agir), que reúne seus livros de crônicas Rua dos Artistas e arredores (1978) e Porta de tinturaria (1981), e ainda traz outras 14 crônicas escritas para a revista Bundas e para o Jornal do Brasil.

 

Última modificação em Terça, 05 Maio 2020 10:07

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    Confira a nota da escola:

    Em sua essência, o Império Serrano sempre priorizou a base familiar como principal pilar de suas tradições, e um dos principais exemplos disso é a linha de sucessão no comando da Bateria Sinfônica do Samba.
    Em 1950, o Mestre Alcides Gregório assumiu a Bateria do Império Serrano após a morte do Mestre Bita, comandando a Sinfônica por sete carnavais. A partir de então, seu filho, que viria a ser conhecido como Mestre Faisca, passou a ter uma convivência estreita com todos os instrumentos de percussão. Em 1984, aos 16 anos de idade, Faisca fundou a Bateria da Escola Mirim Império do Futuro, antes de se tornar Diretor da Sinfônica e ganhar o Estandarte de Ouro como revelação dois anos depois.

    Como um fruto não cai longe do pé, a Bateria do Império do Futuro, fundada anos antes pelo Mestre Faisca, foi o palco do início da caminhada de seu filho Vitinho, que desfilou como ritmista, sob o comando do Pretinho da Serrinha entre 1996 e 1999. Entre os anos de 2014 e 2016, Vitinho desfilou como ritmista na Sinfônica.

    Assim como para todo imperiano de coração, o Império Serrano é para o Mestre Vitinho, uma escola de família, de raiz, de tradição. Principalmente por isso, e por toda a competência que tem demonstrado no mundo do samba todos esses anos, o Mestre Vitinho vai buscar dar seguimento com excelência ao trabalho de seu avô, Mestre Alcides Gregório, do seu pai, o Mestre Faisca, além de tantos outros como mestre Birão, Vanderlei, Silvio Manoel, Alcides Gregório, Macarrão, Átila Gomes, ciente da extrema responsabilidade e entendendo que a estrela maior é a Coroa Imperial.

    Este dia 20 de maio de 2020 é bastante especial para o Império Serrano e toda a Nação Imperiana, além do mundo do samba, pois estamos presenciando um fato histórico e jamais visto no Carnaval Carioca. A partir desta data, oficialmente, o Mestre Vitinho é o novo Mestre de Bateria da Sinfônica do Samba do Império Serrano, e nossa bateria se torna a primeira a ser comandada por três gerações, pai, filho e avô, na história do Maior Espetáculo da Terra!

     

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    Alpa trabalhava na Rádio Roquette Pinto e por muitos anos, comandou o programa "Batida de Samba" na 1440 AM.

    As informações sobre o velório e sepultamento ainda não foram divulgadas.

 

 

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