Escolas da Série Ouro e do Grupo Especial abrem a temporada de ensaios técnicos na Sapucaí

Escolas da Série Ouro e do Grupo Especial abrem a temporada de ensaios técnicos na Sapucaí

No sábado, se apresentaram Lins Imperial, Estácio de Sá e Inocentes; no domingo foi a vez do Império Serrano e da Tuiuti

Por Luis Leite

Nesse fim de semana, com o público ainda reduzido, cerca de 20 mil pessoas foram ao Sambódromo do Rio na noite de sábado e domingo para assistir à abertura dos ensaios técnicos das escolas de samba da Série Ouro e do Grupo Especial.

De volta à elite do carnaval carioca, o Império Serrano foi a primeira agremiação da noite desse domingo (15) a pisar na Sapucaí com o enredo” Lugares de Arlindo”, desenvolvido pelo carnavalesco estreante no cargo Alex de Souza. O tema é uma homenagem ao cantor e compositor Arlindo Cruz, que está com a saúde debilitada, em razão de sequelas após ter sofrido um AVC em 2017. O Reizinho de Madureira vai retratar a carreira e a obra musical do artista passando pela religiosidade até a chegada dele no Grupo Fundo de Quintal.

A Comunidade da Serrinha mostrou a força e sua valentia em seu canto carregado de muita emoção.

A comissão de frente formada por homens e mulheres vestidos de branco trouxeram coreografias marcadas na cadência de rituais das religiões de matriz africana, em referência à ancestralidade do homenageado. O segmento exibiu uma faixa com os dizeres: “Arlindo Cruz, o Império te ama”.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Flôres e Danielle Nascimento, dançou de forma entrosada. Com passos coreografados, a dupla mostrou bastante sincronismo e leveza no bailado. 

Veículos motorizados com painel de led, em alta resolução, mostravam imagens marcantes da trajetória do Baluarte e imperiano de fé, Arlindo Cruz.

Filho de faísca é fogo

Comandada por mestre Vitinho, a Sinfônica do Samba, entre os agogôs e o rufar das caixas extremamente afinados, arrebatou as arquibancadas com muita batucada. A rainha de bateria, Darlin Ferrattry, esbanjou simpatia e beleza interagindo com os ritmistas durante as bossas. Após se ajoelhar no meio da avenida a majestade empacou, foi preciso receber ajuda para levantar e seguir.

A Verde e Branco encerrou seu desfile tendo como destaque a grande imagem de São Jorge, santo padroeiro da agremiação e do músico.

Paraíso do Tuiuti

Cadê o boi?

Em seguida, foi a vez da Paraíso do Tuiuti fazer seu ensaio técnico, com o enredo “Mogangueiro da Cara Preta”, dos carnavalescos Rosa Magalhães e João Vitor.  A história inédita narra a chegada dos búfalos ao Brasil, através da Ilha do Marajó, no Pará.

Antes mesmo do início do seu desfile, o presidente Thor prestou uma homenagem a duas baluartes falecidas recentemente: Dona Zilá e Tia Sandra, que presidiu Ala das Baianas.

Apontado como um dos melhores samba-enredo do Carnaval 2023, a escola do bairro de São Cristóvão contagiou o público com o canto forte de sua comunidade, entoando os versos sobre a localidade paraense e suas particularidades, com destaque ao refrão principal.

Com saias rodadas e coloridas, a comissão de frente, comandada pelos coreógrafos Lucas Maciel e Karina Dias, fez uma apresentação que remetia passos de danças típicas, simbolizando o carimbó da cultura do estado do Pará. 

Nas cores da cerâmica marajoara, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, durante sua performance, mostrou bastante intensidade nos movimentos, embora não tenha apresentado o bailado oficial.

Vestida com uma fantasia indígena, a nova rainha de bateria, Mayara Lima, mais uma vez deu um show de samba no pé. A beldade arrancou aplausos e foi ovacionada pelo povão por cada setor onde passava e fez questão de agradecer a todos retribuindo carinhos e beijos. A SuperSom, comandada por mestre Marcão, também foi um dos principais destaques. Os ritmistas ousaram de várias paradinhas, uma delas em ritmo de carimbó, que preenchia todo o refrão do meio do samba.

No sábado (14), Lins Imperial, Estácio de Sá e Inocentes abriram oficialmente os ensaios técnicos da Liga RJ

A primeira escola a abrir a maratona de ensaios técnicos na Sapucaí foi a Lins Imperial, com o enredo “Madame Satã, resistir para existir”, desenvolvido pelos carnavalescos Eduardo Gonçalves e Ray Menezes. O público vibrou bastante com o som da bateria A Verdadeira Furiosa, de Mestre Átila, que esteve em perfeita sintonia com a performance da rainha de bateria, Katarina Harmony. Katarina esbanjou swing e sincronia com as bossas executadas durante o treino.

Depois foi a vez da Inocentes de Belford Roxo, a Caçulinha da Baixada, a se apresentar com o enredo “Mulheres de Barro”, que está sendo produzido pelo carnavalesco Lucas Milato. A escola vai contar a história das paneleiras de goiabeiras, artesãs do Espírito Santo que herdaram o saber da confecção das panelas de barro de seus ancestrais. Apesar do bom desempenho por parte de alguns segmentos, a Inocentes por sua vez precisa aprimorar mais no quesito evolução, sem muita sincronia algumas alas deixaram a desejar.

Terceira e última escola a riscar o chão da avenida foi a Estácio de Sá. A escola do Morro do São Carlos trouxe para a Sapucaí as festas e ritmos do Maranhão embalando os foliões com o enredo “São João, São Luís, Maranhão! Acende a Fogueira do Meu Coração”, desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Leite. Destaques para o canto forte da comunidade o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Feliciano Junior e Alcione Carvalho, e a bateria Medalha de Ouro, de mestre Chuvisco.

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