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Juliana Pagung: de Laranja da Terra para o Rio, uma história de amor ao samba Destaque

Publicado em Entrevistas

Por Wellington Lopes
Fotos: Eliseu Fiuza

Juliana Pagung nasceu em Vitória, capital do Espírito Santo, no dia 23 de setembro de 1984. Sua infância, porém, foi no interior do estado, na cidade de Laranja da Terra. Integrante de uma família de músicos, aos 10 anos Pagung cantou pela primeira em uma igreja católica do município durante uma coroação de anjinhos. A partir dali percebeu sua aptidão para o canto e deu início a um trajeto de aproximadamente 560km de distância, quando aos 19 anos decidiu viajar para o Rio de Janeiro com o intuito de estudar e se dedicar à música brasileira.

Apesar do estilo eclético, logo percebeu que o seu gênero musical preferido era o samba, e foi em 2006, durante as constantes visitas à quadra da Mocidade Independente de Padre Miguel que ela passou a disputar com afinco os concursos de sambas-enredos, e mais tarde passou a integrar o carro de som da escola, por convite do então presidente Paulo Vianna.

Em 2008, chegou ao ápice. Depois de enfrentar o preconceito ainda existente no samba, por ser loira, branquela e bonitinha, como ela mesma diz, sagrou-se campeã ao defender a parceria composta por Igor Leal, Marquinho Marino e Gustavo Henrique, que descreveu o enredo “O Quinto Império. De Portugal ao Brasil, uma utopia na história”.

Hoje, Juliana Pagung, com o apoio do músico Jorge Cardoso, está lançando seu primeiro EP, com seis faixas musicais. Nesta entrevista, a capixaba de alma carioca fala de seus projetos, de sua carreira solo e do amor pelo samba.

 

OBatuque.com - Explique esse fascínio pelo samba carioca, apesar de ser capixaba?
Juliana Pagung
– Bem, todas as férias de colégio, eu sempre vinha para o Rio passear e ficar aqui. Então, minha prima (Tatiana Pagung) foi musa, rainha de bateria, e o nosso passeio turístico era visitar as quadras de escolas de samba. Eu gostava de acompanhar, de passear e ir junto com ela às quadras, e umas das primeiras quadras que visitei foi a da Mocidade - de repente foi daí que surgiu esse encantamento todo -, mas eu praticamente visitei todas as escolas de samba do Rio, tanto as dos grupos A, B e Especial, porque a Tatiana (Pagung), por ser do samba, por estar sempre frequente, era um universo novo para mim. Eu me amarrava em acompanhá-la e a gente passeava em diversas escolas de samba.

OBatuque.com - Como é a sua relação com a Tatiana Pagung?
Juliana Pagung
- A minha relação com a Tatiana foi muito boa, a gente tinha convívio como se fôssemos irmãs. Só que era assim: de um lado, era a carreira dela, de outro, o meu lado ia para um outro ramo, porém a gente sempre estava caminhando juntas e a família aqui do Rio me deu muito força, e se hoje em dia eu canto samba foi pelo fato deu vir morar no Rio, e eles terem me aberto essa oportunidade, e minha família ter me acolhido aqui.

Juliana by Eliseu Fiuza 7OBatuque.com - Aos 19 anos você veio para Rio aventurar a carreira de cantora. Já havia uma estrutura para que você chegasse ao Rio e se estabelecesse, ou foi à base do “vou arriscar”?
Juliana Pagung
- A cabeça totalmente criada do interior da roça. Então eu tinha um pouco de medo de me arriscar, mas graças a Deus não precisei de me jogar assim, mas é logico que eu senti falta da minha mãe, da minha irmã, da minha família, do Espirito Santo, todavia graças a Deus eu tive uma família aqui no Rio, que me acolheu muito bem e que sempre me apoiou. Pude cair de cabeça no lance de música porque tive família aqui no Rio, de certo modo foi mais fácil.

OBatuque.com - De uma família musicista voltada para a religião, como ela reagiu ao fato de você se envolver com o samba, um gênero completamente diferente? 
Juliana Pagung
- Na verdade, minha mãe sempre foi o meu tudo. Ela foi pai, mãe... Eu não tive uma presença atuante do meu pai e não tinha muito contato com a família dele. Só passei a ter contato com eles agora, depois de dois anos do falecimento do meu pai. A minha mãe sempre me deu força, minha mãe queria que eu desbravasse o mundo e corresse atrás dos meus ideais. Na verdade, ela queria que a filha dela fosse modelo mesmo. Ela tinha um sonho quando pequena. O pessoal a chamava de bonequinha, mas ela tinha vontade de que eu lutasse pelos meus sonhos e conquistasse algo a mais do que ficar numa cidadezinha, sem muito recursos, sem poder me incentivar a estudar, já que ela não tinha condição de pagar meus estudos naquela época. Ela me deu muita força para vir para o Rio, porque a irmã dela morava aqui. Ela queria que eu viesse para poder estudar, me dedicar e quem sabe ter a oportunidade de crescer.

OBatuque.com - Quando foi o seu primeiro contato com o samba carioca e mais precisamente as escolas de samba?
Juliana Pagung
– Bem, eu sempre trabalhei com vários estilos musicais, eu tive um lado como cantora muito eclético. Trabalhei com banda de axé, quinteto de jazz, eu cresci ouvindo sertanejo de raiz. Não fui criada no piso de samba, porém a minha família aqui no Rio, a Tatiana, as amizades que fiz com todo o mundo do meio do samba, não tinha para onde correr. Aí, o último segmento que aprendi a cantar, até porque eu fui criada na roça, no interior, mas foi pelo samba que eu fiquei apaixonada. Fiz as amizades, surgiram vários trabalhos dentro do samba, então fiquei muito feliz pelo samba ter me acolhido.

OBatuque.com - Quando você percebeu o dom para cantar?
Juliana Pagung
- Aos 10 anos, quando eu cantei pela primeira na igreja católica, numa coroação de anjinhos, onde eu colocava o terço da Nossa Senhora, fazendo cada um cantar, fazendo cada um dos anjinhos cantar um pedacinho. Eu acho que foi ali que percebi, mas eu sempre levei muito na brincadeira a música. Gostava da música, porém eu fazia outras coisas, trabalhava com outras coisas, e nunca caí assim de cabeça... Acho que a idade chegou, os caminhos surgiram, aí eu comecei a me jogar de cabeça, mas sempre levei muito na brincadeira. Por outro lado sempre gostei de tudo ligado à arte, ao teatro, à pintura, tudo que é ligado à arte sempre me atraiu muito.

OBatuque.com - Uma capixaba que canta samba, samba-enredo, samba-canção, partido-alto e samba de raiz, como funciona isso?
Juliana Pagung
- É verdade! Como funciona isso? Uma capixaba que, no meio do povo carioca, canta samba-enredo, partido-alto, samba de raiz, samba-canção, é muito louco mesmo, mas só sei que é muito bom. A experiência é muito gostosa. Fiz grandes amizades. Acho que tudo a gente se adapta. Uma experiência muito boa na minha vida.

OBatuque.com - Gostaria que você detalhasse o convite do presidente da Mocidade para integrar um carro de som.
Juliana Pagung
- Disputei o samba da parceria de Igor Leal e Marquinho Marino, e a Alissandra Oliveira, uma negra muito bonita, defendia um outro samba na quadra. Nós ganhamos o samba em 2008, e o presidente (Paulo Vianna ) estava com a ideia de colocar duas mulheres cantoras no carro de som para fazer parte da harmonia de canto. Meio inusitado. Mas já havia mulheres fazendo aquilo na época. Eram poucas, mas já havia. Na época, deu muito bafafá, tipo assim: uma negra bonita que cantava muito, e eu, uma loira com estilo europeu, fora do perfil dos sambistas. Uma “branquelona” cantando samba na época. Deu maior “auê”, repercutiu muito na mídia, mas foi bem legal. A experiência foi muito gostosa.

OBatuque.com - Como foi defender um samba-enredo pela primeira vez?
Juliana Pagung
- Eu não sei te descrever direito. É uma mistura de sentimentos, um pouco de medo e receio ao mesmo tempo. Vontade, garra… Porque eu vim para o Rio e na época me casei com um sambista também, isso veio a prevalecer. Até o samba ficou mais forte na minha vida. O meu ex-marido era compositor, e eu participava de tudo. Sempre quis estar ao lado dele, dando força, apoio... e ainda mais para ser uma base para o outro artista, então tinha um monte de formulazinha que nós tínhamos que seguir, e eu tive o apoio das pessoas que, graças a Deus, me acompanharam. A Alissandra, que na época veio na Mocidade comigo, já tinha uma boa experiência no samba, então eu acho que fui abençoada, tive grandes pessoas que me deram muito auxílio.

OBatuque.com - Em um ambiente predominantemente composto por homens, houve algum tipo de preconceito?
Juliana Pagung
- Tive sim, mas eu acho que não pelo fato de eu ser mulher, mas pelo fato de eu ser branca, loira e bonitinha... Eu fazia parte do apoio, da base, as vozes se misturam, então você não ouve se fulano está ou não cantando. Até eu começar a cantar sozinha, houve preconceito sim, no entanto mais pelo fato de eu ser branca e não pelo fato de ser mulher, uma besteira, né? Eu não tenho cara de sambista, mas tenho coração, e isso é o que importa.

OBatuque.com - Algum fato curioso nessa fase como integrante do carro de som?
Juliana Pagung
- Acho que foi esse fato de eu não ter um perfil de uma sambista, uma cantora de samba-enredo... Estava no meio do pessoal, porém com o tempo fui aprendendo os macetes todos. Isso, na época, traz pontos com o bater de frente, tipo assim: a “Xuxa do samba”.

OBatuque.com - Você se inspirou em alguém?
Juliana Pagung
- Com relação ao samba-enredo, eu sempre admirei muito o trabalho do Jackson Martins, mas acho que pelo fato de eu ser mulher não tenho uma inspiração. Acho que foi um cantor que me chamou muita a atenção. Eu gostava muito do falecido Jackson, da Caprichosos de Pilares.

Juliana by Eliseu Fiuza 8OBatuque.com - Quem fez o arranjo e a produção do seu primeiro EP “Juliana Pagung”? Quem são os compositores? Fale das músicas. Qual a canção de trabalho? Como foi a escolha das faixas?
Juliana Pagung
- A gente fez um preparo calmo até para saber o caminho que íamos seguir. As músicas, que geralmente Jorge Cardoso me enviada, fomos selecionando. Geralmente ele nunca falava o nome do compositor para não influenciar, para saber qual ia me identificar mais. Foi um trabalho de formiguinha, bem-conversado, bem-dialogado para saber que caminho seguir. Como sempre trabalhei nesse universo meio eclético, de tudo um pouquinho, está saindo esse filho bonito de seis faixas, que é meu EP. Eu tive a honra de ter como produtor musical um dos maiores maestros da música popular brasileira do samba, o qual eu tenho muito respeito: Jorge Cardoso, que fez tanto sucesso entre outros. Ele esteve tantos anos ao lado da Marrom, a Alcione, e foi um trabalho de formiguinha, até porque como eu sempre cantei vários estilos, não queria errar um trabalho que fosse a minha cara. Depois de muitas conversas, muitas escolhas, a gente teve duas composições do Jorge Cardoso, mas eu tive composições do Ronaldo Barcelos, Juninho Araújo, eu refiz uma regravação da Flávia Wenceslau que se chama “Caminhos de sol”, do compositor Salgado Maranhão e Herman Torres. Tive a honra de ter uma faixa que é um samba bem gostoso, com arranjo de J. Moraes, e música de Jorge Cardosos e Eli Junior, que inclusive trabalha comigo na banda Meu Cavaquinista, meu parceiro. Tive a honra de ter um compositor baiano que já gravou vários sucessos entre Ivete Sangalo, Banda Eva, que se chama Davi Sales. O trabalho é bem a minha cara. Estou muito feliz. Tive a honra de ter músicos assim maravilhosos, como Camilo Mariano, na batera do Grupo Sorriso Maroto; Boris, no baixo; Dudu Dias, no baixo; Mauro Junior, no solo de violão flamenco. Esse cara arrebentou em uma música que eu fiz. Fiz sete anos de dança cigana, fiz dança flamenca… Quis fazer um samba juntando as duas coisas: o samba e a dança. Contei essa história para o Jorge Cardoso, e ele juntamente com Ronaldo Barcelos fez essa música que se chama “Deusa Cigana”, e convidamos o Mauro Junior, um violista de Niterói, que deu um show de violão flamenco.

OBatuque.com - Esse é um álbum provisório, já existe uma data para o lançamento de um DVD propriamente dito? O que está faltando?
Juliana Pagung
- Agora é botar todos os pingos nos “is” e deixar tudo afinadinho e redondinho. Terminar de selecionar as músicas. Enquanto a gente não termina vamos deixar todo mundo com um pouquinho de água na boca. Soltamos um EP de seis faixas. Espero que a galera curta bastante, e bem. É muito engraçado, porque a gente vai para a rádio falar sobre o trabalho, e muitas pessoas gostam da música que se chama “Amor Total”, que é um samba um pouco mais moderno, e aí tem um lado romântico meu que é um mais forte. Acho que vou deixar a resposta para o povo. Eles vão decidir o que na verdade será a música de trabalho, mas eu acredito que seja “Amor Total”, “Caminho de Sol” e “Verdadeiro Amor”.

OBatuque.com - Apesar de cantar outros estilos musicais, como você explica esse amor pelo samba? 
Juliana Pagung
- Eu acho que na verdade não tem explicação. Não nasci no berço do samba e gosto tanto de samba. Gosto de tudo que faço. Acabou que o samba que me adotou, sou uma filha adotiva do samba. Eu passei por vários estilos musicais, mas eu tenho um amor muito forte pelo samba, e foi isso que eu fiz no meu trabalho. Apesar de ter um estilo eclético, o samba foi a base do meu trabalho. O amor não vê cara, só vê coração. Eu me apaixonei, não tem explicação, eu acho que é o destino.

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