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Deivid Domênico: ´A adoção do jovem infrator não se refere à adoção paterna, mas a uma adoção de oportunidade´

Publicado em Entrevistas

Por Wellington Lopes
Foto: arquivo pessoal


Em meio à violência que assola o Brasil, mais especificamente o Rio de Janeiro, onde os índices de criminalidade são cada vez mais alarmantes, o carteiro e compositor campeão do samba-enredo da Mangueira de 2015, Deivid Domênico Ferreira Lima, 38 anos, morador do Penha, durante sua rota de trabalho pelo Centro da Cidade, na sexta-feira passada, dia 6 de novembro, viveu um momento que jamais será esquecido por toda sua vida.

Ele foi roubado por um adolescente de apenas 16 anos. Deivid correu atrás do menino, conseguiu alcançá-lo e pegou o aparelho celular de volta, além disso, tomou uma atitude que dificilmente alguém tomaria em virtude da raiva, do nervosismo, da revolta que a maioria sente quando é assaltada ou assiste a uma cena como essa. Primeiramente evitou, com a ajuda de seguranças do Camelódromo, que o meliante fosse linchado pelas pessoas que passavam pelo local e depois, ao saber que o infrator é morador de um prédio abandonado do IBGE, próximo ao Morro da Mangueira, e órfão de pai e de mãe, se comprometeu a ajudá-lo.

Ativista dos direitos humanos, como ele se autodenomina, Deivid pretende ir ao Instituto Padre Severino, onde o adolescente se encontra, para oferecer ajuda, dar uma oportunidade a ele na bateria e uma atividade na quadra da escola de samba.

Conheça um pouco desse sambista, que carrega consigo a compaixão, a generosidade e o amor pelo próximo, mesmo que esse próximo esteja afastado dos paradigmas da sociedade em que vivemos.

OBatuque.com - Quando você começou na Ala de Compositores da Mangueira?
Deivid Domênico
- Estou na Ala de Compositores desde 2004. Só fiquei de fora das disputas dos carnavais de 2006 e 2010, em todas as outras disputas participei.

OBatuque.com – Fale sobre a emoção quando anunciaram sua parceria como vencedora do samba deste ano da Mangueira?
Deivid Domênico
- Ganhar o samba pro carnaval deste ano foi a realização de um sonho de menino. Virei mangueirense no carnaval de 1984, na inauguração do Sambódromo. Era uma criança e vi a Mangueira ser supercampeã do carnaval carioca. Meu pai era compositor da Imperatriz e me levava para cantar com ele, mas virei mangueirense, encantado com o desfile de 1984. Então, somando o fato do meu pai ser compositor, e eu ser mangueirense, sempre sonhei em vencer o samba na Mangueira. Depois de 10 anos consegui ter a honra de ver uma obra em que participei da construção ser escolhida como o hino oficial da Mangueira.

OBatuque.com – E a emoção de ver sua obra sendo cantada na avenida?
Deivid Domênico
- A emoção em ver minha obra na avenida foi indescritível, algo somente inferior aos nascimentos das minhas filhas.

OBatuque.com - Como foi montada a parceria?
Deivid Domênico
- Na época da construção da parceria, existiam três parcerias diferentes, que resolveram juntar forças e talento para construir uma obra que se tornasse um hino para a escola. Em poucas conversas, as afinidades foram se encaixando e a parceria foi criada.

OBatuque.com - Conforme foi noticiado pelo “Dia Online”, na coluna do Fernando Molica (7/11/2015), você “adotou” o adolescente que roubou seu celular. Conta essa história detalhadamente para a gente.
Deivid Domênico
- A adoção do jovem infrator não se refere à adoção paterna, mas a uma adoção de oportunidade. Tenho amigos que podem e irão ajudar na parte prática como assistência jurídica, escola, trabalho e muito amor pelo ser humano, vontade e perseverança para proporcionar esperança, futuro e condições para que a vida desse rapaz possa mudar. Não é preciso ter dinheiro para ajudar as pessoas, é preciso ter amor e boa vontade. Sou um ativista dos direitos humanos, mas diferente do que muitos pensam, meu objetivo não é defender bandido, mas sim acreditar no ser humano. Esse rapaz é o típico menino que chegava da escola com notas baixas, e todos diziam que ele era burro, que ele nunca ia aprender, é o menino que as pessoas discriminavam, porque não se vestia descente, não andava limpo e só no olhar já era excluído, ouvindo o mantra do você não presta, não serve para nada, vai ser mendigo ou bandido. Ele foi oprimido e se viu excluído pela sociedade, e quando a sociedade exclui, o crime acolhe. Tem um ditado que diz que: “Uma mentira bem contada muitas vezes se torna uma verdade”. Falaram tanto essas coisas para esse rapaz, que ele acreditou e resolveu ir para onde o aceitam: no crime. No crime, ele se sente poderoso, se faz respeitar e impõe sua vontade. Eu não tenho a pretensão de achar que ele é uma criança inocente e coitadinha, pelo contrário, sei que ele é um cara de 16 anos, movido pelo ódio e a exclusão, adotado pelo crime e cheio de crueldade nos olhos, mas é um ser humano que precisa ter uma oportunidade, não de emprego e estudo somente, isso é importante, mas ele provavelmente já deve ter recebido, mas ele precisa de carinho, precisa saber que alguém acredita nele e quer ajudar na sua vitória, aliás, alguém, não... 30 mil pessoas. O problema é que como ele está envolvido pela mentira de que não presta e acreditando nisso, tudo o que vem da sociedade ele recusa, sem contar que na nossa sociedade preconceituosa, ele não duraria um mês em qualquer trabalho sem que sofresse com o preconceito por ser um menor infrator. Sendo assim, ele precisa saber que tem gente que se importa com ele, que acredita nele e está disposto a lutar por sua vitória, que vai acompanhar nessa luta pela sobrevivência na sociedade de perto. É preciso conquistar o seu coração, pois o dia em que ele voltar ou passar a acreditar nele, vai andar com as próprias pernas.

OBatuque.com - O que passou na sua cabeça quando você conseguiu alcançá-lo? Deu vontade de espancá-lo?
Deivid Domênico
- Em momento algum pensei em bater nele, mas a primeira reação foi de recuperar com cuidado o meu celular. Com cuidado porque não sabia se ele estava armado, por isso, me mantive tranquilo, mas quando ele me viu e correu, a população o pegou e começou a bater nele, minha reação não foi outra que a de tirá-lo do meio do linchamento, e o êxito foi atingido, graças aos seguranças do Camelódromo. Na delegacia, ratifiquei a disposição em ajudá-lo e pedi para que ele me procurasse, mas acredito que ele não vá me procurar, porém eu já estou me organizando para ir ao Instituto Padre Severino, onde ele se encontra, para oferecer a ajuda que estamos buscando para ele, saber mais dele, da família e ver de que forma ajudaremos melhor. No dia do assalto, na hora, eu estava muito tranquilo. Vi essa cena inúmeras vezes no Centro e sempre me coloquei no lugar da vítima, e a reação foi automática, movida pelo que eu acredito.

OBatuque.com - O que te fez dar uma chance a um adolescente que te roubou?
Deivid Domênico
- O que me motivou a ajuda-lo é o fato dele ser um menor, mais novo que minha filha mais velha, e saber que ele tem um futuro pela frente e precisa fazer a escolha certa. Quero ajudá-lo, porque ele sozinho não conseguirá achar o caminho. Para que ele tenha condições de fazer a escolha de qual "produto" ele deve escolher, o bom ou o ruim, ele precisa conhecer ambos. Hoje, ele só conhece o ódio, o crime e a exclusão. Está na hora de conhecer o amor, a compaixão e a inclusão.

OBatuque.com - Domênico, parabéns pela sua iniciativa, e que sua atitude sirva de exemplo para toda a sociedade.

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