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Falta um samba-enredo

Publicado em Artigos
Terça, 16 Agosto 2016 20:14

Por Wellington Lopes

O cântico “Eu sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amor” é muito pouco, né? Já deu. Para quem frequenta estádios de futebol sabe muito bem do que estou falando. Além de chato, o jingle não reflete bem essa relação, convenhamos. O brasileiro perdeu o jeito de torcer para o Brasil. O cântico de incentivo aos esportistas está mais restrito ao hasteamento da Bandeira Nacional do que propriamente à partida em si, especialmente quando nós, brasileiros, nos emocionamos com o Hino Nacional Brasileiro, entoado à capela. E para por aí.

Certo dia, assistindo à ESPN Brasil, um dos programas esportivos de TV noturnais, os comentaristas colocaram em pauta uma discussão sobre o assunto durante a cobertura da Eurocopa, disputada na França, vencida por Portugal. O debate era justamente sobre a carência de músicas nos jogos do Brasil. O jornalista Juca Kfouri deu como exemplo os torcedores franceses, cantando a belíssima “Marselhesa” (hino francês), antes e durante os jogos como incentivo aos jogadores daquele país.

E os nossos hermanos argentinos? O que dizer? Talvez sejam os torcedores mais barulhentos da América Latina e os que mais incentivam seus atletas, tanto no campo, ou em qualquer modalidade esportiva disputada pelo planeta. São diversos os cânticos, e não há jogador que não se contagie e se empenhe ainda mais. E o que mais chama a atenção nos argentinos é o fato de que eles cantarolam o tempo todo, mesmo quando o time está em desvantagem por um placar que dificilmente será revertido a poucos minutos do fim.

Diferentemente do que ocorre nos jogos da Seleção Brasileira, no Campeonato Brasileiro e nos estaduais ao longo do ano, é comum as torcidas organizadas cartarem sambas-enredos. O trecho “Explode coração na maior felicidade”, do campeoníssimo samba do Salgueiro de 1993, “Peguei um Ita no Norte”, já foi cantado por quase todos as torcidas Brasil afora. A torcida do Flamengo, por exemplo, não esquece do “Festa Profana”, da União da Ilha 1989, e evidentemente, não deixa barato para sacanear os vascaínos: no refrão “O joga água que é de cheiro // confete e serpentina // Lança perfume no cangote da menina”, os rubro-negros alteraram o final para: “Vou dar porrada na torcida vascaína“. Vale a gozação, mesmo que seja alusiva à violência, contudo não deixa de ser um incentivo aos jogadores.

Já a torcida do Vasco se utiliza de uma paródia - quando o time fica em desvantagem no placar -, no último refrão do samba da Beija-Flor de 1978, “A criação do mundo na tradição Nagô”, de autoria do rubro-negro Neguinho da Beija-Flor. Com a mudança, o samba ficou dessa forma: “Iererê, ierê, ierê, ô ô ô ô // O Vasco é o time da virada // O Vasco é o time do amor”. Além disso, os vascaínos cantam de forma esfuziante o samba da Unidos da Tijuca de 1998, em homenagem ao centenário do clube, comemorado naquele ano.

Na década de 80 era muito comum ouvir sambas-enredos nas arquibancadas, em razão de os sambas serem executados exaustivamente pelas rádios e pela mídia de uma forma geral. A torcida do Fluminense parodiou o samba da Portela de 1983, “A Ressurreição das Coroas (Reisado Reino Reinado)”, que em uma certa parte da obra dizia: “Reisado reino reinado // Ganga-Obá Chico-Rei foi coroado”, com a criatividade dos tricolores, a letra ficou dessa forma: “O Tato deixa entortado, o Assim já foi coroado”. Tato jogava como ponta-esquerda, e o Assim, morto em 2014, foi um dos maiores ídolos da história do clube.

Em 1983, no amistoso de vôlei disputado no Maracanã entre Brasil e União Soviética – hoje Rússia –, embaixo de um aguaceiro, esse mesmo samba da Portela foi cantado diversas vezes pelos cerca de 95 mil pagantes que ocupavam as dependências do estádio.

Falta um samba-enredo que funcione comumente a todos os torcedores que incentivam nossos atletas brasileiros nas competições entre seleções, até porque ali estão pessoas apaixonadas por vários outros clubes espalhados por todas as regiões do país. Uma ótima sugestão seria, o antológico samba do Império Serrano de 1964, o “Aquarela Brasileira”, de Silas de Oliveira. Este samba referencia todas as regiões do Brasil e seus respectivos estados.

Não quero dizer com isso, que os sambas-enredos darão aos nossos atletas as vitórias contra as seleções adversárias, porém, certamente, darão um algo a mais aos jogadores brasileiros, pois não há quem fique contagiado quando uma torcida, numa só voz, entoa uma canção do alto de uma arquibancada. Não podemos ficar inertes somente ao: “Eu sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amor”. É muito pouco para um país tão rico musicalmente e tem o samba como um dos gêneros mais famosos do mundo.

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