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Luiz Fernando Reis: “Não existe uma Nova Caprichosos; Caprichosos é Caprichosos!” Destaque

Publicado em Entrevistas

Equipe OBatuque.com

Ele se notabilizou na Caprichosos de Pilares com enredos irreverentes e políticos, justamente numa época da transição da ditadura militar para o governo civil. Chegou ao ponto de ter que desfilar com todo o desenvolvimento de um tema na Marquês de Sapucaí sem iluminação, e não deixou barato: com toda a sua criatividade, inspirada em grandes carnavalescos de outrora, em especial, a Maria Augusta, da qual é fã incondicional, Luiz Fernando Reis, em resposta ao problema técnico ou “conspiratório” – ele mesmo não tem certeza do que aconteceu -  acrescentou ao nome do enredo em homenagem ao saudoso Chico Anysio, cujo título que começava com “A Visita da Nobreza do Riso a Chico Rei…”, o trecho: “…num Palco nem Sempre Iluminado”. A partir daí seu nome começou a ganhar peso no carnaval carioca e em virtude disso passou por diversas escolas de samba.  Na década de 90 foi um dos idealizadores do prêmio mais importante dos grupos de acesso, o Samb@Net. Hoje, Luiz, além de carnavalesco, atua como comentarista dos principais veículos especializados em carnaval do Rio de Janeiro. Nesta entrevista, o Reis fala dos grandes problemas que a Caprichosos vem enfrentando atualmente, da Família Leandro e do que a escola de Pilares necessita fazer para voltar ao Grupo Especial.

OBatuque.com - A Caprichosos na sua época vinha com temas políticos. Naquele desfile em que os refletores se apagaram, muito se falou em sabotagem, o que aconteceu de fato?
Luiz Fernando Reis
– Não tenho certeza. Não há nada apurado sobre isso, nem tampouco conhecimento de ter sido apurado, senão certamente eu saberia de alguma coisa. A grande verdade é que faltou luz, durante o desfile falando do enredo “Um Cardápio à Brasileira” (1983), acabou que nós fomos obrigados a desfilar às escuras. Mas de certa maneira foi interessante para nós, pois fomos considerados hours-concurs, nós não corremos, por algum detalhe e tal, o risco do decesso. Eu, hoje, com mais frieza, analisando, a gente disputava o descenso, sim. Alguns amigos da Caprichosos, na época, não concordavam com isso, mas nós acabaríamos disputando o decesso. Poderia não acontecer, mas... Eram duas que corriam esse risco: a Unidos da Ponte e Caprichosos. Para a história da Caprichosos isso foi muito importante. E até teve um alento bom, para criarmos no ano seguinte o enredo sobre o Chico Anysio e até incluir esse apagão como parte do título do enredo.  

OBatuque.com - Que motivo te levou a assinar o enredo sobre o Chico Anysio e o apagão do ano anterior? Como surgiu essa ideia?
Luiz Fernando Reis
– São coisas distintas. O Chico Anysio era uma ideia que eu vinha namorando há algum tempo. Não era uma visão da biografia do Chico, e sim uma visão do humorista do Chico Anysio. Então, criamos um reino, onde o Chico era o rei, o Chico Rei, até uma brincadeira com o enredo Chico Rei, que o Salgueiro tinha feito há anos, que para mim é o melhor samba-enredo de todos os tempos, e o apagão aconteceu no ano anterior. Então nós incluímos esse apagão no enredo, cujo título era “A Visita da Nobreza do Riso a Chico Rei, num Palco nem Sempre Iluminado”. Não houve uma relação de um com o outro.

OBatuque.com - Você tem trilhado o caminho dos comentários, análises etc., qual a importância disso já que você trabalha diretamente como carnavalesco? É um pré-requisito?
Luiz Fernando Reis
– Eu acho que o pré-requisito para me tornar comentarista foram dois: o fato de eu ser professor. A gente necessita da fluência no falar para poder dar aula, e por ter trabalhado e ainda trabalhar no carnaval. Então, a gente traz uma carga de experiência que é muito importante, mas às vezes as pessoas não aquilatam isso devidamente, mas quem fez carnaval, quem viveu carnaval, especialmente na época em que eu vivi, onde as dificuldades eram bem maiores, a gente compreende muito mais as coisas. Então, a gente que projeta o carnaval sabe que quando se consegue oitenta por cento dele é muito. Essa visão, essa experiência que eu tenho, e tenho até hoje, pois continuo fazendo carnaval, já que estou ajudando os meus amigos da Matriz de São João Miriti, uma escola do Grupo B... então não me afastei, digamos assim, do “palco carnaval”, e aí acabei virando comentarista. A convite de amigos, fiz Rádio MEC, Roquete Pinto, Rádio Tupi... fui convidado a ser colunista, videoblogueiro, atualmente estou no SRZD. Acho que a fluência que o magistério me deu que me permitiu isso, e claro, com a experiência que eu tenho adquirido há cada ano no carnaval. Sobre o pré-requisito, a experiência é importante, sim. Você pode ser um estudioso do assunto, você pode trazer o seu conhecimento, procurando ler muito, se inteirar muito... agora, você tendo a experiência é até melhor. É claro, você sente na pele. Você sabe que a coisa não é tão simples, não é tão fácil. É um requisito interessante. Mas, você pode não ser alguém com experiência e prática de carnaval e ser um excelente comentarista. Nós temos exemplos de alguns comentaristas. São estudiosos, que vivem o carnaval, mas não vivem profissionalmente, porém dão condições a eles de serem grandes comentaristas. Nem sempre o melhor comentarista de futebol é aquele que é ex-jogador, nem sempre o melhor técnico de futebol é aquele que foi jogador.

OBatuque.com - Sua expectativa com a sua volta à Caprichosos com a Família Leandro?
Luiz Fernando Reis
– Eu tive uma relação grande, muito forte, muito amigável, digamos assim, com o Fernando Leandro, quer dizer: o patriarca dessa família. O Fernando era muito amigo meu, um segundo pai. Então, eu tenho quase certeza de que ele me considera um filho. Eu vi o Carlos, o neto dele, nascer. Eu tenho a idade que teria o Albertinho, o filho do Fernando. E vejo com carinho o interesse da Juliana, a esposa do Carlos, querer o meu retorno à Caprichosos. É um prazer muito grande estar de volta com a Família Leandro. A Caprichosos que me lançou. Se hoje estou falando alguma coisa pra você, eu devo à Caprichosos. Mas é importante deixar claro que eu nunca me afastei da Caprichosos. Eu fui diretor de carnaval. Nessa nova gestão, que eu acabei não participando, apesar de terem me oferecido, estive lá... As pessoas não se interessaram. Eu deixo bem claro as coisas: eu sou profissional de carnaval. Eu não sou mecenas. Não posso me dar ao luxo de ajudar uma escola só por ajudar. Claro, se você me pede uma ajuda, um comprometimento, a gente sempre ajuda. Agora, assumir esse compromisso em ajudar uma escola e não acontecer nada financeiramente é complicado. Então, estou aguardando para o ano que vem o período das eleições. A maioria dos votos está como a Família Leandro. Eu acredito que a gente retorne com a Juliana, e com isso nós possamos ajudar da melhor forma possível, para trazer a Caprichosos ao Grupo Especial, que é o sonho de qualquer escola.  

OBatuque.com - Como você vê o momento atual da Caprichosos do ponto de vista estrutural, organizacional e político?
Luiz Fernando Reis
– O momento é o pior possível. Eu nunca vi a Caprichosos num momento tão ruim na sua vida. É pior momento administrativo e político da Caprichosos. A escola está sem patrimônio algum. O único patrimônio que ela tem é onde está a quadra, é o imóvel quadra, mas ela não tem cadeira, não tem mesa, não tem mobiliário algum, freezer... Ela foi depenada. O que a gente sabe que tem lá, são as peças da bateria. O mestre Alexandre conseguiu manter isso intacto, pelo menos. Na bateria, ninguém ousa mexer, né? É importante que alguns aventureiros saibam que o carnaval não é brincadeira, é uma coisa muito séria, gente. Então quando você começa a afastar pessoas, e isso acabou acontecendo nas últimas gestões, você tem uma escola totalmente nova. Poucas pessoas da antiga Caprichosos estavam presentes. Vamos aguardar. Estamos na Intendente, que já é um trauma muito grande para a Caprichosos. Desde que me entendo por gente, eu conheço a Caprichosos ou na Série A, ou no Grupo Especial, e de repente a escola cai. Cai para o terceiro grupo, mas com cara de quarto. Estamos na Intendente, e a Intendente não é uma coisa fácil. Voltar ao Especial, algumas pessoas acham que é imediato. A minha experiência de carnaval diz que não é imediato. Há um jogo político muito forte. Há situações que não cabe mim retratar. Você achar que vai para a Intendente e, automaticamente, achar que o nome “Caprichosos” vai levá-la de voltar à Sapucaí... não é bem por aí. É importante que a Caprichosos faça um belo carnaval, se manter no grupo, e aí sim, no próximo fazer um carnaval para voltar à Sapucaí, se for no próximo ano, melhor ainda. Politicamente, a Caprichosos não está com peso para isso, mas vamos torcer. Ela tem componente, tem comunidade. Ela no mínimo deveria estar na Série A e sempre brigando para estar no Grupo Especial.

OBatuque.com - Que caminho você trilharia para trazer a Caprichosos de volta ao Grupo Especial?
Luiz Fernando Reis
– O grande movimento é o resgate da comunidade. Criar o amor da comunidade pela escola, isso é fundamental. Trazer as pessoas de volta. Se a gente for contar aqui, temos espalhado em outras escolas uma série de pessoas que eram Caprichosos. Por exemplo: o mestre de bateria da Beija-Flor, Rodney, foi diretor da Caprichosos, ele é ex-caprichoso. Paulo Sierra, hoje na Viradouro, foi nosso puxador. Então esse potencial de comunidade é muito forte na Caprichosos. É fazer a comunidade olhar a Caprichosos novamente com respeito. Ela está olhando a Caprichosos como uma coisa que está acabando. O caminho seria esse: não perder suas características, tentar fazer unir as suas características dentro do carnaval atual. O carnaval de hoje não é igual ao de 20 anos atrás, mas tem que manter a sua linha de trabalho, em relação à beleza, à criatividade, à irreverência... Não adianta inventar uma nova Caprichosos. Inclusive isso foi tentando nas administrações anteriores, que tentaram uma “Nova Caprichosos”. Não existe uma Nova Caprichosos; Caprichosos é Caprichosos!

OBatuque.com - Você prefere temas autorais ou patrocinados? Por quê?
Luiz Fernando Reis
– A pergunta é muito lógica. É claro que todos nós (carnavalescos) preferimos um enredo autoral. Porque o enredo autoral é aquele que a gente está pensando há 2, 3, 4, 5, 10 anos. Já o enredo patrocinado é aquele que jogam na sua mesa, e falam: “Desenvolve isso aí”. Eu nunca fiz enredo patrocinado. Na minha época não havia isso. Mas eu gostaria de fazer, faz parte do carnaval e não acho o fim do mundo. Acho que alguns enredos patrocinados são subservientes, ou porque você tenta dar uma volta no patrocinador, e não é por aí. Temos que ser honestos com os patrocinadores, eles serem honestos conosco, e mostrando a gente até aonde nós podemos ir. Eu gosto do enredo patrocinado. É claro que tem alguns patrocínios totalmente fora de contexto, mas como profissional eu toparia fazer um enredo patrocinado. Agora, inegavelmente, se você perguntar para todos os carnavalescos, cem por cento responderão enredos autorais. O enredo autoral é aquele que você está pensando, que te dá prazer, que te dá tesão, e o patrocinado é o que te empurram. É complicado.

OBatuque.com - Será que com o momento político atual, um enredo na Intendente Magalhães não seria um desperdício ou uma ótima oportunidade de chamar atenção da mídia?
Luiz Fernando Reis
– A gente tem o Grupo Especial e temos a Série A, aí existe um pouco de mídia. Você vai para a Intendente, acabou a mídia. A mídia é muito pequena. São poucos os meios de comunicação que se interessam pela Intendente, né? O que salva são alguns sites, que se preocupam. O poder público não olha a Intendente com o carinho e o respeito que ela merece. Aquilo ali é fantástico. Você não pode comparar o carnaval da Marquês de Sapucaí com o da Intendente. São coisas distintas, são coisas completamente diferentes. Então você não pode jogar um grande enredo na Intendente que ele vai se perder. Perder por quê? Porque você tem menos alas, menos recursos, menos componentes, menos alegorias, menos tudo...Então os grande enredos devem ser guardados para o Grupo Especial e até mesmo para a Série A. A Intendente, não, você faz enredos paliativos, que te permitam contar com poucas alas, uma alegoria, com poucos recursos... Aí tem um negócio importante, que algumas pessoas não conseguem alcançar: é muito difícil fazer carnaval sem dinheiro, não é má vontade, não rola... Você faz um grande quebra-cabeças de coisas que conseguiu ganhar das escolas maiores. Tem que fazer um cata-cata no Grupo Especial e na Série A e conseguir alguma coisa, e com isso, montar o seu enredo e o seu carnaval. Especialmente na Intendente que há escolas que não têm um patrono, sem grandes recursos, você tem que partir realmente para improvisar. Então, a Intendente não é o local ideal para apresentar um grande enredo, você não vai ter a mídia, divulgação, uma rádio falando ou uma TV, você vai ver um site especializado, porém com um alcance bem menor. Então, para a Caprichosos, o momento agora é dar uma porrada na comunidade, tipo: “Vamos chegar junto, meu povo!”, “A gente depende de vocês!”, “Vamos parar com as divergências!”, É a nossa escola que está em jogo!”. Então um enredo falando da comunidade seria ótimo para a Caprichosos, tentando chamar a atenção dela, para que ela volte a respeitar a escola.

OBatuque.com - Um tema que você gostaria de assinar numa escola?
Luiz Fernando Reis
– Aí você me pegou (risos). Tem alguns, mas é segredo, né? Mas gostaria de fazer o Gonzaguinha, que está sendo feito pelo Chico Spinoza, na Estácio de Sá. Um outro que eu gostaria, a Vila vai fazer: a cor do som. O meu enredo é parecido. A música alegre do mundo é negra. A música alegre veio da África. Entraria o Brasil, EUA... A temática política está em voga. Não é uma coisa tão forte. Eu poderia fazer um tema político falando do golpe (impeachment da Dilma), por exemplo, mas eu teria a metade da população contra mim. Eu poderia fazer sobre o presidente interino (Michel Temer), aí eu teria a outra metade do país contra mim. O enredo político é muito complicado. Então, naquela época que eu fiz o tema político, que era uma unanimidade nacional, aquela vontade… todos queriam as Diretas Já!, e hoje o brasileiro está realmente politicamente dividido. Não vale a pena comprar algumas brigas, porque a coisa pode não dar tão certo assim.

OBatuque.com - Que enredo você gostaria de ter assinado?
Luiz Fernando Reis
– Tantos e tantos. Gonzaguinha, Ratos e Urubus, que o Joãosinho Trinta fez. Quase todos os enredos do Fernando Pinto. Muitos do Oswaldo Jardim. Gostaria de ter assinado, não, ter assimilado o talento de um Renato Lage, de uma Rosa Magalhães, da ousadia e da irreverência; a sagacidade, a esperteza de um Paulo Barros. O Arlindo Rodrigues, não tenho o talento dele, e não é meu estilo de carnaval, mas ele fez coisas maravilhosas. Gostaria de assinar alguns enredos da Maria Augusta, e com isso responderia a última pergunta (Um carnavalesco que lhe serviu de inspiração?). Eu me baseie na minha origem no samba numa carnavalesca, que especificamente me encheu os olhos, que foi a Maria Augusta. E quando eu entrei para a Caprichosos, a minha proposta era fazer um carnaval com o mesmo estilo dela. Aquela coisa alegre, colorida, leve, solta, brincalhona, né? Eu coloquei uma pitada para dar crítica política. Então, a São Clemente também pegou essa linha, só que usou a crítica social. Eu peguei a crítica política. A Maria Augusta é uma referência do meu trabalho. Claro que você vai juntar uma série de influências de vários nomes, como por exemplo: Fernando Pinto, Osvaldo Jardim, tem um garoto novo que está fazendo o Jacarezinho, Eduardo Gonçalves. Paulo Barros é um gênio. O
Leandro Vieira, da Mangueira, já demonstrou talento e é muito bom. No próximo ano, ele se junta a Paulo Barros, a Rosa Magalhães, a Renato Lage como os quatro melhores carnavalescos, na minha cabeça. Tem o Alex Souza que tem um trabalho impecável, muito bonito, muito bem feito, muito bem trabalhado. Esqueci de falar no Fernando Pamplona. Bom, se eu ficar falando a entrevista não termina, porém a Maria Augusta foi a minha referência. Ela é fantástica. Muito obrigado pela oportunidade que você me deu para falar. Aquele abraço! 

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