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E o samba sambou de novo Destaque

Publicado em Artigos
Quinta, 06 Junho 2019 15:26

Por Aloisio Villar


Mais uma virada de mesa...

Pela terceira vez consecutiva a Liesa, junto com as escolas de samba do Grupo Especial, "vira a mesa", evitando um rebaixamento. A escola beneficiada da vez foi a Imperatriz Leopoldinense que dessa forma permanece no Especial. O Império Serrano não teve a mesma sorte.

Eu confesso que queria essa virada e escrevi sobre isso nas redes sociais semanas atrás. Queria essa virada por temer pelo futuro da Série A, diante de tanta confusão, briga pelo poder e medo da Imperatriz sofrer no meio de toda essa confusão e com isso sendo imposta a um limbo.

Mas torci de forma amarga, porque sou contra viradas de mesa. Acho uma violência, um escárnio com qualquer tipo de competição e ter que torcer por uma virada, por temer pela sobrevivência de um patrimônio cultural brasileiro como a Imperatriz, me fez mal, me mostrou o quanto o carnaval carioca está errado, desqualificado e me envergonha.

Foi definida a virada. Muito porque as entidades que regem o carnaval se acham as donas da festa, mas não são. O carnaval pertence ao povo do Rio de Janeiro, ao Estado... Ele é o responsável pelos desfiles e terceiriza essa responsabilidade, podendo e devendo cobrar e cassar, se necessário.

Mas não o faz, porque o Estado até hoje se dividiu entre os amigos do poder do carnaval, como Eduardo Paes e os que odeiam os desfiles como Crivella, que deve estar vibrando com tudo isso, já que as escolas dão as justificativas para seus cortes de verbas.

Não existem santos nessa história. Quem votou contra a virada, votou pela rivalidade com a Imperatriz e pelo medo da multa do poder público. Quem votou a favor quis dar uma resposta ao poder crescente da Liesb. Tudo isso desanima. Desanima ver resultados polêmicos na Intendente, histórias que precisavam ser esclarecidas, mas ninguém busca, porque poucos se importam com as escolas de lá. Desanima ver a briga pelo poder na Lierj, desanima a falta de credibilidade da apuração da Liesa.

Aos sambistas, restam algumas alternativas: não levar mais a sério os desfiles e as escolas de samba; só participar desse meio pela festa ou entretenimento, ou então se afastar; parar de gastar dinheiro; não ir a ensaios; comprar fantasias ou ingressos para desfiles. Quem se irrita agora diz que não irá mais participar, porém quando lá está, passa a ser conivente com tudo o que ocorre. Acaba sendo o bobo da história.

Lamentável tudo isso. Eu vou continuar escrevendo e fazendo vídeos sobre carnaval por respeito a quem me acompanha desde os tempos de compositor. Os desfiles em si não me animam mais, tanto que passei o último carnaval fora da cidade. Decidi que este ano não analiso os sambas. Não vou levar a sério nenhum tipo de competição que venha do carnaval.

No Brasil nada é sério, muito menos o carnaval. O samba sambou de novo.

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