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Luiz Carlos Bruno: “Quero voltar a trabalhar para fechar o portão com sabor de dever realizado” Destaque

Publicado em Entrevistas

Por Ricardo Maia
Fotos: arquivo pessoal

A paixão de Luiz Carlos Bruno pela Unidos da Tijuca começou durante o desfile da escola em 1981, como um simples folião. Anos mais tarde, para ajudar uma amiga em uma ala, Bruno teve uma passagem repentina pela São Clemente. Depois disso, os dois foram para a escola do Morro do Borel.

Dali para a frente, iniciou a sua vida como diretor de Carnaval. Nesta função trabalhou com Paulo Barros e depois da saída do carnavalesco, Bruno sugeriu seu próprio nome como substituto do artista, com a anuência do presidente Fernando Horta, que apostou suas fichas em seu trabalho. Posteriormente, passou pela Rocinha e pela Portela. Na Majestade do Samba, durante os trabalhos de barracão, mesmo com a notícia de que estava com câncer, deu continuidade às atividades, utilizando calça geriátrica. Ainda muito combalido pela doença, teve uma curta passagem pela Renascer de Jacarepaguá.

Hoje, depois de vencer a batalha contra a doença, Bruno segue sua vida normalmente e se diz disposto a enfrentar novamente toda a adrenalina que envolve as escolas de samba. Ele conta como enfrentou os desafios dos barracões, dos planejamentos, dos recursos, do estilo atual da Tijuca, de sua forma dura e amável em lhe dar com as pessoas, especialmente do profissionalismo, característica essa que ele considera uma das mais marcantes em sua vida.

 

OBatuque.com - Na Unidos da Tijuca você chegou à Direção de Carnaval e consequentemente ao posto de carnavalesco. Em que cargo você se sentiu mais à vontade?
Luiz Carlos Bruno - Sempre fiquei muito confortável na posição de Direção de Carnaval, porque aprendi a mexer com tudo e ter conhecimento geral do que é a máquina do carnaval. Para mim, sempre foi muito bom administrar as pessoas. Não que eu não tenha curtido ser carnavalesco, curti muito, mas não larguei, só não fui diretor de Carnaval por um ano.

OBatuque.com - O seu trabalho como diretor de Carnaval da Tijuca foi fundamental para a ascensão da escola para se tornar a grande campeã da década?
Luiz Carlos Bruno - Tenho muito orgulho de ver no que a Tijuca se tornou, porque é inegável o quanto nós brigamos por isso. Era uma escola que dependia muito de garra, de vontade... era desacreditada. E eu tive a felicidade de participar desse processo. No início, eu e o Fernando (Horta) e algumas pessoas foram se entusiasmando. Foi um passo a passo, correção de quesitos em quesitos. Cada ano melhorando uma coisa, cada ano agregando aos quesitos uma a mais. E sempre vendo o que tínhamos que mudar. Ninguém pode falar que eu não fiz parte desse processo.

OBatuque.com - Qual foi o quesito mais difícil de corrigir?
Luiz Carlos Bruno - Acho que dois quesitos se misturam nessa finalização desse processo que hoje fez a Tijuca se tornar o “rolo compressor”. Eles foram os mais complexos, porque dependiam das pessoas que desfilam. Todo o profissional de carnaval tem que ter na cabeça que, sem gente, sem componente que tenha cumplicidade, nenhuma escola faz nada. Então, eu acho que os quesitos que se alinharem foram: Harmonia e Evolução.

OBatuque.com - Como, ou em que, você baseava o seu trabalho de diretor de Carnaval?
Luiz Carlos Bruno - A Direção de Carnaval é o elo entre a realidade e o sonho. É quem tem que ter base para conversar com a direção da escola e o carnavalesco. A Direção de Carnaval demanda de processo metódico em relação a gastos, ter planejamento de custos e saber adequar o que o carnavalesco pretende com a realidade da escola. Muitas vezes isso foi muito complicado, porque ter que fazer a conta de que 2 + 2 são 4 e querer que dê 100, é pesado. Fica complicado de entender o porquê de não ter sido aceito, mas essa é a função. Realizar da melhor forma possível o sonho do carnavalesco. Aprovado o enredo, discutir, analisar, ver pontos fracos e fortes, ver como isso vai ser apresentado na avenida. Muitas vezes tive problemas com profissionais do carnaval exatamente por falar "isso aqui não é legal". Sempre briguei pelo melhor possível, mas ser diretor de Carnaval é dar a cara à tapa. Já ocorreu de acontecerem erros na avenida, onde pessoas poderiam se isentar, eu acho isso errado. Quando acontece algum erro o diretor de Carnaval responde pelo todo. Não se comprometer a analisar e julgar antes de ir para avenida é meio complicado. Tem que avaliar e não ter medo de dar sua opinião. Não são só os jurados, milhares de pessoas irão opinar, julgar. Ver que é melhor para a sua escola, para o seu componente, a sua venda de produto e aí tem que ter força. Basicamente, a Direção de Carnaval é o fiel da balança. É quem vai juntar tudo. É a pessoa que menos aparece, sempre fiquei muito satisfeito vendo as pessoas terem seus louros e sabendo que fiz muito para isso acontecer. Tem que saber administrar o todo, e quando você não sabe alguma parte, tenha uma pessoa gabaritada ao seu lado. Por isso, existe equipe. Por isso, sempre buscamos formar grandes equipes. Por isso, a Tijuca se tornou uma escola independente, porque ela tem equipe.

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OBatuque.com - Quando você foi convidado para esse cargo com a responsabilidade de transformar a escola, o que passou pela sua cabeça naquele momento?
Luiz Carlos Bruno - Passou pela minha cabeça um desafio, um grande desafio. Entretanto sempre fui muito realista e calculista. Sabia que existia uma grande escola, uma grande direção. Eu tinha que colocar as coisas no seu lugar, tinha que arrumar inimigos. Passar por muitos problemas, todavia só tinha na minha cabeça que aquilo tinha que dar certo. A Tijuca era minha casa, é uma história particular, e quando se concretizou em trabalho foi a hora de partir para a luta. Briguei com presidentes de ala, harmonia, amigos meus, o que fosse necessário. Talvez isso não tenha sido muito bom para o convívio, mas o importante era o sentimento de dever cumprido. Na minha cabeça, teria que fazer feliz 4.000 pessoas. Essas pessoas têm que chegar na avenida, sentirem orgulho e ganharem o carnaval. Aprendi na Direção de Carnaval que, faça o que você fizer, se não olhar para o humano, se você achar que ele é só uma casca sobre rodas com fantasias lindas e esquecer quem está vestindo ou quem está em cima dos carros, você não consegue nada. Isso eu aprendi na Tijuca. Entendi que o humano tinha que funcionar muito bem.

OBatuque.com - Qual foi o maior obstáculo que você enfrentou? E qual a solução adotada?
Luiz Carlos Bruno - Trabalhar em carnaval é brincar de pular obstáculos o tempo todo. Carnaval nasceu para dar errado. A gente tem que tirar os erros do caminho. O maior obstáculo foi na chegada do Paulo Barros em 2004. As pessoas não entendiam aquele vulcão de ferro, e como os ensaios eram fechados, poucas pessoas sabiam o que realmente ia acontecer. Me lembro de encontrar uma componente na concentração chorando muito, porque a Tijuca só tinha ferro; eu ria. “Já, já você vai ver o que vai acontecer". Eu confiava muito no Paulo, sabia o que era, o que foi, a coisa tinha que dar certo, porque foi feita para dar certo. Mas foi difícil ver as pessoas nervosas, com um trabalho que eles não sabiam o que ia acontecer.

OBatuque.com - Ao que parece, a Tijuca naquela época se transformou em um grande grupo de amigos. Muitos atribuem a isso, o fato de você ser uma pessoa agregadora, porém, ao mesmo tempo, você se diz um cara duro, que em muitos pontos não negocia. Como você consegue juntar essas duas características aparentemente destoantes?
Luiz Carlos Bruno - Fazer a escola, se tornar uma família foi bem natural. Naquele tempo, os torcedores da Tijuca cabiam em um fusca. Então, foi todo o mundo se chegando, se conhecendo... Eu adorava fazer uma festa para o pessoal do barracão, assim como a diretoria, eram todos amigos. Fazíamos questão de quebrar aquela hierarquia rígida. Existia momentos que parávamos o barracão e mandávamos entrar uma carrocinha de sorvetes para todo mundo tomar sorvete juntos. Dependo do ferreiro, que depende do aderecista, que depende do escultor... E todo o mundo se aproximou muito. Na época da Cidade do Samba, eu fechava um bar na Gamboa para os meus funcionários estarem comigo antes dos ensaios. Na hora de trabalhar, você tem que ter uma postura, tem que cobrar, ser duro. Mas as pessoas têm que saber quem você é. Então, era bom o convívio de relacionamento de iguais. Essa história de “não negociar” é o que eu não consigo entender. Favores que possam prejudicar o trabalho de uma escola de samba? Isso é uma coisa que não negocio. Acho que relevar problemas, que possam trazer problemas intransponíveis dentro do desfile, não dá para ceder. Mas hoje eu seria duro, mas não tão pesado como muitas vezes eu fui. A raiva ficou só para mim. Depois do trabalho feito, todo o mundo ficava feliz, e eu ficava com a fama sozinho. Pegaria um pouco mais leve na conversa.

OBatuque.com - Em 2004, com o primeiro vice-campeonato da Tijuca, te questionei sobre o porquê de você não ter aparecido na quadra para comemorar, você me respondeu com uma pergunta: "Eu vou comemorar o vice-campeonato?”, qual era o seu pensamento na época?
Luiz Carlos Bruno – Aí, você está falando com um tijucano, uma pessoa que tinha uma casa em azul e amarelo, minha casa sempre foi azul e amarelo. Na época não aceitei, que um diferencial do porte que foi o desfile da Tijuca, não poderia perder por um décimo. Então, não daria para comemorar.

OBatuque.com - Em 2007, você passou a carnavalesco da escola, acumulando a função de diretor de Carnaval. De quem foi a ideia de transformá-lo em carnavalesco?
Luiz Carlos Bruno - Assumo essa posição como sendo minha. O motivo foi muito simples: durante anos, existe a troca de carnavalesco, sempre vem outra cabeça. Com alguns, a nossa relação não terminou muito bem. E na época que o Paulo (Barros) saiu, a gente era a dupla dinâmica, a gente se dava muito bem, nos entendíamos pelo olhar. Então, quando ele saiu, eu levei um baque, e não estava em momento de experimentar. Então pedi ao Fernando (Horta) para assumir como carnavalesco. Chamei o Lane para desenhar pra mim. Não estava preparado para a nova mudança, então falei: “Vamos lá! A técnica eu sei, sei fazer isso, sei o que o povo gosta”. Aí, quis fazer na sequência de dois enredos de sucesso: a música e a fotografia, e fui muito feliz.

OBatuque.com - Por que virar carnavalesco? O que te levou a essa decisão?
Luiz Carlos Bruno - Porque estávamos num crescente de estilo tijucano, que foi criado pelo Oswaldo Jardim, que deu a cara da Tijuca em termos de fantasias. Então o casamento do estilo Tijuca, com a força do Paulo, estava indo muito bem. Uma mudança repentina poderia não ser muito bem aceita. Foi muito difícil ter que encarar, teria que fazer uma releitura do que foi o Paulo, sem ninguém me conhecer como carnavalesco. Bato palmas para o Fernando que acreditou. Eu teria que colocar a cara, sem alterar o momento que a escola estava crescendo.

OBatuque.com - Algumas pessoas comentam que foi um erro você se tornar carnavalesco, pois para elas perdeu-se um grande diretor de Carnaval. Como você vê essa mudança na sua vida?
Luiz Carlos Bruno - Já me falaram muito sobre isso, mas era necessário. Se entrasse um carnavalesco com uma linguagem mais tradicional, eu estaria me eximindo da responsabilidade do crescente que a tijuca estava vindo. O risco foi meu, mas acho que cumpri, dei o quarto lugar para ela no primeiro carnaval. Mas nunca deixei de ser diretor de Carnaval. Só no último ano, porque eu estava ficando muito isolado na criação e eu precisava debater com alguém. Sou um cara que discuto carnaval até com meu faxineiro. Algumas coisas se confundem. Eu escrevo enredo, defesa, eu sou um cara que faz coisas do carnavalesco, entretanto entendo que o diretor de Carnaval tem que saber fazer.

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OBatuque.com - Logo após o mau resultado do desfile de 2009, você deu uma declaração que se afastaria temporariamente do desfile. Abriu um bar e ficou um tempo longe das escolas de samba. Você se culpou pelo mau resultado da escola? O que você faria de diferente?
Luiz Carlos Bruno - Foi um ano complicado. Eu não escrevi o enredo e nem a defesa. Foi um ano que algumas coisas não funcionaram. Eu me sinto culpado, mas não a ponto de deixar o carnaval. Deveria ter brigado um pouco, mas pelos erros que vi acontecer e não ter passado a importância. Eu “enchi” e deixei pra lá. A grande culpa foi minha. Não foi por isso que saí, queria respirar outros ares. Voltei logo depois.

OBatuque.com - Após a sua saída da Tijuca, em 2009, você deu expediente na Rocinha por 4 anos, onde você parecia bem à vontade. Sua vida na Rocinha foi mais tranquila do que na Tijuca?
Luiz Carlos Bruno - A Rocinha foi um alívio. As pessoas que estavam lá foram amigos meus. Eles estavam sempre ao meu lado. Então não senti a falta da casa. No primeiro ano, me foi dito para fazer o que quisesse, sem citar que a escola estava com problemas financeiros. Aí, escolhi o enredo do vidro. É lógico que é um enredo caro. Contratei Sergio Lobato, foi tudo feito em alto nível e de repente, fui surpreendido em não conseguir terminar o carnaval, porque não existia dinheiro. Isso foi complicado, já que eu vinha de uma escola onde tudo era muito planejado. Quando percebi que a coisa não ia rolar, tive que alterar tudo, sem mexer no enredo, mas a plástica, fui mudando. Eu tinha um carro que mais da metade dele foi parar no mangue, porque não conseguimos pessoas para terminar o carro, nem pessoas para levar o que estava pronto para a Sapucaí. Então, tivemos que serrar uma parte do carro e jogar fora, literalmente. Isso doeu muito. No segundo ano, foi mais tranquilo. Me falaram "não temos dinheiro". Me deram um orçamento baixíssimo; dei uma gargalhada e falei: "Beleza! Deixa comigo!".  Foi aí que fiz um dos enredos mais divertidos, que foi o enredo da praça.

OBatuque.com - Depois da Rocinha, você voltou ao Grupo Especial, só que dessa vez na Portela. Na Azul e Branco, você ficou por 3 anos. O que fez você se afastar da escola?
Luiz Carlos Bruno - Quando cheguei à Portela pensei: "Estou realmente entrando em uma escola de samba pela primeira vez". Era uma escola diferente, onde não conhecia ninguém e precisaria traçar meus caminhos. Foi o lugar onde mais me expus. Uma mega escola, com uma comunidade apaixonada, tudo de bom. Mas com muita coisa para se resolver, tecnicamente falando. E isso custou muito de relacionamento, muito mal-estar, porque continuei sendo a mesma pessoa. Deixei muita gente que um dia vai entender o que eu fiz. Se fui intransigente, duro, seco, foi pelo trabalho. Na intenção de realizar o sonho deles: de voltar às (Desfiles das) Campeãs. No começo, a minha relação com o Falcon foi difícil, mas depois de um tempo comecei a perceber que ele era um cara fantástico, tão brigão quanto eu. Queria ver sua escola brilhar. Começamos a brilhar juntos. Senti muito quando ele morreu, porque era um cara que vai fazer falta à Portela e ao carnaval. Ele tinha interesse que a coisa fosse perfeita, porém, no fim do segundo ano, comecei a perceber uns sintomas de que não entendia o que estava acontecendo, e fui como sempre: primeiro o trabalho. Quando falei com o Paulo Barros o que estava acontecendo alguma coisa comigo, ele me falou para procurar um médico. Aí, descobri que estava com câncer. Mas pensei que o tumor iria esperar eu terminar o meu carnaval. Comprei calça geriátrica e era assim que eu trabalhava. Quando terminou o carnaval, fui desligado da Portela sem uma explicação clara.

OBatuque.com – Como você avalia o trabalho no Grupo de Acesso? É mais fácil do que no Grupo Especial? Se pudesse escolher, sem considerar o salário, você preferiria trabalhar no Acesso ou no Especial? Por quê?
Luiz Carlos Bruno - Eu trabalho em qualquer lugar. Claro que o salário pesa, todavia gosto de trabalhar onde as pessoas tenham comprometimento. O carnaval foi feito para 4.000 foliões e não para os dirigentes. Não estamos ali para brincar. Sendo no Especial ou no Acesso, trabalho com o mesmo carinho e intensidade. Quando cheguei à Rocinha, com um mês estava com todas as maquetes prontas. Só diminui a parte numérica de carros e alas. A responsabilidade é a mesma.

OBatuque.com - Nesses mais de 20 anos no carnaval, em diversas funções, o que foi mais difícil para você? Qual foi sua maior decepção?
Luiz Carlos Bruno - Não tenho medo de assumir. A minha maior dor foi a saída da Tijuca. Foi muito dolorido. Até hoje, é muito duro de pensar. Quando saí, fiquei alguns meses em depressão. Mas me decepciono muito com as pessoas que não entendem quem é o Bruno, como pessoa e profissional. Não dei camisas nem para minha mãe; nunca misturei as coisas. Não peço nada e não entendo as pessoas pedirem. Acabo dizendo não e criando inimizades. As pessoas não compreendem isso.

OBatuque.com - E qual foi sua maior alegria?
Luiz Carlos Bruno - Minha maior alegria, o portelense vai se assustar. Como não me envolvo, sou frio... Na Portela sempre fui muito seco. Sempre falei para o Falcon que meu símbolo era o pavão. No desfile no primeiro ano, tomei atitude. Eu sabia o que ia acontecer, porque se você não tiver chão, não valorizar teu componente, fazer ele dar o show, você não tem nada. Então quando entrei na avenida com a Portela, tive a notícia de que o desfile tinha sido muito bom. No setor 3, vieram algumas pessoas chorando muito. Aí, olhei pro lado e vi a minha escola, a Unidos da Tijuca, nos camarotes, bater palmas de pé para mim. Ali, eu vi a Portela orgulhosa novamente. Foi minha alegria.

OBatuque.com - Se tivesse que apontar um mestre, aquele que você se inspira, quem seria esse personagem?
Luiz Carlos Bruno - Meu personagem foi o carnavalesco Oswaldo Jardim. Tenho sinceras idolatrias pelo Paulo Barros, é um monstro. Mas quem me deu a base do que sou foi Oswaldo Jardim. Queria ele vivo agora com esse carnaval moderno. Foi ele que na década de 80 já tinha a ideia de movimentos no carro. De construir e desconstruir, e quando chegou a minha hora, falei que faria o sonho do cara. Então meu ídolo é e sempre será Oswaldo Jardim.

OBatuque.com - Você acabou precisando se afastar do carnaval para tratar da saúde. Hoje você está totalmente curado. Você pensa em voltar a trabalhar no carnaval? Seria em alguma escola, atelier ou outra opção?
Luiz Carlos Bruno - Quero muito voltar a trabalhar, mas sou um cara que nunca sentei no colo de quem manda. Trabalhei, porque me escolheram. Sou um profissional de carnaval. Atelier? Calma, vocês irão saber algumas coisas. Espero voltar, porque me faz falta essa adrenalina. É um mundo que sei trabalhar muito bem e gosto muito de fazer isso.

OBatuque.com - Você tem algum enredo em mente?
Luiz Carlos Bruno - Nossa Senhora! Bota enredo! Posso fazer enredo patrocinado também. No entanto é muito legal fazer algo cultural, moderno e com diferencial e que não tenha similaridade na avenida, é muito divertido. Tenho muitos.

OBatuque.com - A sua passagem pela Renascer soou como uma certa covardia, porque depois do enredo apresentado, você foi dispensado? Você achou que teve o enredo “roubado”?
Luiz Carlos Bruno - Não é uma questão de enredo roubado. O que achei injusto foi me desligar da escola por telefone, porque eu não tinha saúde. Mas trabalhar sem dinheiro é bastante complicado. Algumas vezes tive que pedir emprestado para botar gasolina para trabalhar. Na verdade, eles não tinham como cumprir e sabiam que eu estava doente e me deram um pé na bunda. E pior: falando que eu estava doente. O que piorou muito a minha situação.

OBatuque.com - Existe uma questão discutida nas redes sociais sobre o envolvimento de carnaval e política, mais conhecidos como enredo-protestos. Qual é a sua opinião?
Luiz Carlos Bruno - Acho super-relevantes. Você ter esse foco de enredo é importantíssimo. É o que a escola de samba sempre fez muito bem. Existe uma história que sustenta o quanto foi necessário em vários momentos a irreverência, a crítica, o olhar de sambista em relação à nossa história, nossa vida contemporânea. A coisa abre o leque de opções, não fica tudo igualzinho. Isso é um espetáculo. Esse espetáculo tem que ser diferenciado. Então, criticar esse ou aquele personagem é muito bom. Meus enredos sempre têm uma pitada de crítica.

OBatuque.com - Você não gostava de ver escola falando de tristeza, cemitério. Frases como “vou chorar” não cabiam na sua escola. Como você avalia carros que representam a fome, a tristeza e a miséria?
Luiz Carlos Bruno - É saber dosar, porque colocar morto-vivo, cemitério, purgatório... nós já fizemos, eu gosto e acho legal. Tem que fazer isso ser engaçado. Fui criticado, porque coloquei o avião jogando a bomba na menina vietnamita. Mas era o momento que tinha que ser mostrado. Procurei fazer um balé em volta. Vamos fazer a coisa menos doída possível. Ficar só batendo, crucificando, matando... fica meio cruel. Cada um tem seu foco. Se fizer bem, vamos bater palmas, mas eu não faria. Há história que não tem como fugir de momentos tristes, que não dá para carnavalizar com uma florzinha e ficar rindo. Certos enredos, você vai esbarrar em situações que não dão para dar as costas. Como falar, é que são elas.

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OBatuque.com - Qual é o seu sonho de carnaval?
Luiz Carlos Bruno - Eu não sei como seria ser campeão, pois ainda não fui. É engraçado, porque ninguém vai me ver em cima de lugar nenhum comemorando. É só para ver mesmo a felicidade dos outros, mas meu sonho é voltar, trabalhar bem com bons profissionais e abrir e fechar o portão da avenida. Essas são as melhores coisas que existem na face da Terra.

OBatuque.com - Você era muito próximo da Fábia Borges, rainha de bateria da Tijuca nessa época. Essa amizade permanece? Ela foi a sua maior incentivadora na carreira?
Luiz Carlos Bruno – A Fábia é uma irmã. Sempre me puxou a orelha, falava que eu era grosso. As pessoas sempre me viam juntos, e hoje em dia somos mais amigos ainda. Falar da Fábia, é falar da família que restou da Tijuca. Infelizmente ficou só a minha irmã.

OBatuque.com – Você prefere fazer o carnaval para levantar o público ou para ser campeão?
Luiz Carlos Bruno - Para mim, vale levantar o público, porém no fim, a responsabilidade de ganhar o carnaval é o que interessa. 

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