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A vitória da crítica Destaque

Publicado em Artigos
Sexta, 23 Fevereiro 2018 08:43

Por Aloísio Villar

 

Eu sou um cara que se apaixonou por carnaval nos anos 80, como boa parte daqueles que hoje falam sobre o assunto. 

Os anos 80 foram anos históricos, porque foi o período da abertura política no Brasil, onde foi permitido falar sobre tudo, fazer tudo. Foi a explosão do rock nacional, com o "Rock in Rio" sendo a cereja no bolo; novelas de grande qualidade e críticas; época em que acreditamos em mudanças; votamos para presidente; tivemos pânico da Aids; e víamos os anos 2000 se aproximarem.

Evidentemente que o samba não ficou fora dessa. Para mim, foi a época mais efervescente. O carnaval carioca estava na moda com vendagens expressivas e foi um período de grandes enredos, grandes desfiles, grandes sambas. E nunca o samba foi tão crítico quanto nos anos 80.

É um erro dizer que o samba-enredo sempre foi crítico. Não foi. Tivemos momentos como o Império Serrano e seu antológico "Heróis da liberdade", mas para dizer a verdade o samba foi mais vezes aliado do poder do que crítico, basta ver os enredos da Beija-Flor antes da chegada de Joãosinho Trinta, onde apoiava ações da ditadura militar.

Mas os anos 80 foram essencialmente críticos em todas as esferas, e o carnaval, mais que ser contra ou a favor, sempre serviu como um espelho que reflete o espírito da sociedade naquele momento. Caprichosos de Pilares, de uma forma mais irreverente, e São Clemente, de forma mais contundente, foram as que mais usaram o artifício, todavia, em algum momento, todas fizeram suas críticas, seja de forma leve e irreverente, como a Ilha em 86; uma forma pacifista, como Portela e Salgueiro 87; poética, como Mangueira 88; ou como em um canto de guerra, como Vila Isabel 88.

Com os anos 90, vieram os "Enredos CEPs", falar de uma cidade em troca de dinheiro. Também veio o Plano Real, melhora econômica mais sentida na primeira década dos anos 2000 com ganhos da classe C, e os enredos críticos foram esquecidos, mas o país degringolou novamente e mexeram com o bolso das escolas, com isso a crítica voltou. 

Confesso que sentia falta desse tipo de enredo, como disse no começo do artigo: foi em sua época que me apaixonei pelos desfiles. Comentei algumas vezes que, os deste ano foram hipócritas por só existirem devido ao corte da subvenção, e algumas das escolas críticas, em 2018, terem exaltado até ditaduras anos atrás, mas não importa muito o motivo, o que importa é que aconteceu e a repercussão que teve.

Há décadas que o carnaval carioca não é tão comentado quanto o de 2018. Pessoas, que não comentavam, que não davam a mínima, repercutiram, falaram bem, falaram mal, mas falaram. O carnaval conseguiu entrar até na divisão ideológica que existe no Brasil de hoje. Tivemos uma imensa sorte de os desfiles críticos serem muito bons, e isso pode guiar o carnaval daqui para a frente.

Para mim não importa se a crítica do Tuiuti foi de esquerda, se a da Beija-Flor foi de direita, e se a da Mangueira foi exclusivamente em cima do prefeito, o que importa é que as críticas existiram, e mesmo diferentes entre elas, todas foram pertinentes.

Já que o carnaval costuma seguir a moda do que deu certo, acredito e espero que tenhamos mais enredos assim em 2019, até porque, infelizmente, não há previsão de melhora na vida do brasileiro.

O samba tem que voltar a ser a voz do seu povo.

Twitter - @aloisiovillar 

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