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As escolas, a religião e os acidentes

Publicado em Artigos

Será que existe de fato uma relação entre eles?

 

Por Ricardo Maia e Wellington Lopes
Foto: Ricardo Maia

 

Nos desfiles das escolas de samba deste ano realizados na Marquês de Sapucaí, muito se especulou nas redes sociais, em razão dos diversos acidentes graves que ocorreram, sobre a relação dos enredos ligados ao Candomblé. Pelo Facebook, alguns internautas chegaram a fazer uma analogia com a queda da porta-bandeira da Unidos de Padre Miguel, Jéssica Ferreira, ao orixá Ossain, enredo da escola. Outros, mais comedidos, atrelaram às outras ocorrências ao enredo do Salgueiro, cujo tema referenciava o paraíso e o inferno na figura do Diabo.

O Ossain, como diz o Candomblé, não tem uma das pernas, quando foi surpreendido por um raio. Jéssica caiu durante a apresentação em frente aos jurados, após ter torcido o joelho na hora da coreografia. Por conseguinte, nos desfiles do Grupo Especial, por pouco os acidentes não se transformaram numa tragédia. Diversas pessoas se feriram gravemente, inclusive com fratura nas pernas, devido à quebra de alguns carros alegóricos durante o desfile.

OBatuque.com conversou com alguns especialistas no assunto para saber o que eles pensam sobre essa analogia de espiritualizar os acidentes durante os desfiles. Para o doutor em Educação e pesquisador das culturas populares, Luiz Rufino, que está desenvolvendo uma tese sobre Exu, como princípio explicativo do mundo, o acidente com a porta-bandeira não passou de uma intrigante coincidência. No entanto, os outros acidentes com os carros alegóricos, ele atribui à falta de organização.

IMG 20170303 WA0005- Então, não creio em influência religiosa ou espiritual. É claro que não tenho como assegurar, mas me posicionando não vejo implicações diretas. O que há no meu ponto de vista é uma intrigante coincidência no caso específico da Unidos de Padre Miguel. Em diferentes mitos presentes na poética de Ifá. Narrativas que codificam a cosmogonia Iorubá, Ossain aparece em diferentes momentos como aquele que possui apenas uma perna. Inclusive, na dança ritual do orixá nos candomblés há um momento em que os seus filhos tomados pelo orixá dançam em uma perna só. No meu ponto de vista, o acontecimento da porta-bandeira como um fato que cruzado ao enredo produz um enigma encantado pela magia ambivalente de Ossain. O que eu vejo é que no carnaval, de forma geral, há muita gente que se atenta para isso. Agora, as demais fatalidades eu vejo como descaso e falta de organização, explicou Rufino, que também comentou sobre a relação do sagrado com o carnaval:

- No universo afro-brasileiro não há uma separação tão incisiva das dimensões sagradas e profanas, essas dimensões se cruzam o tempo todo. Nesse sentido, Exu seria um princípio que operaria nas dimensões da festa, da rua, da alegria e das imprevisibilidades. Assim, há sempre de reverenciá-lo, para que o mesmo dinamize os acontecimentos da festa sem que haja infortúnios. O que eu vejo é que no carnaval, de forma geral, há muita gente que se atenta para isso. É só você caminhar pelas esquinas nos dias que antecedem a festa que você verá a quantidade de oferendas feitas.

Indagado sobre a magia ambivalente de Ossain e a suposta relação do santo com os acidentes deste ano, sobretudo com a porta-bandeira Jéssica, Rufino eximiu o orixá de qualquer culpa – digamos assim -, fazendo uma comparação com outros acidentes que marcaram a história dos desfiles das escolas de samba:

- No caso de as escolas do Especial coincidirem as cores não faz nenhum sentido com o universo afro-religioso, nem mesmo do ponto de vista simbólico. Ossain é, a rigor, o princípio do remédio e do veneno, por ser a potência espiritual da flora como um todo, ele é o princípio que opera, seja na dimensão benéfica ou maléfica das plantas. Tudo dependerá da forma, das combinações e das quantidades. Ossain é o químico dos orixás, o grande feiticeiro. A princípio não podemos responsabilizá-lo, a associação é uma livre interpretação nossa. É claro que essas coisas nos chamam atenção pelo nível de coincidência entre o ocorrido na avenida e os mitos. Aliás, não é a primeira vez que esses acontecimentos, com um tom mais enigmático, se dão na avenida. Como no ano que a Viradouro saiu com o enredo de cigano e o carro pegou fogo. Ano passado, o carro do Salgueiro, que enfatizava a corte do povo da rua, apagou e o ocorrido com as pombas no ensaio técnico. Eu, particularmente, acho uma irresponsabilidade essa associação que culpabiliza o orixá. Creio, que a mesma vem a fortalecer estigmas e estereótipos com as culturas de matriz africana, fortalecendo as formas como o racismo opera em nossa sociedade.

sandro gomesPara o carnavalesco Sandro Gomes, os acidentes não passaram de pura coincidência e a correlação entre o santo Ossain e o Saci está equivocada, além disso o artista crê que seria um contrassenso pensar que um santo faria o mau ou ser responsabilizado por algum tipo de acidente.

- No meu ponto de vista são puras coincidências. Muita gente faz associação de Ossain com o Saci. São duas coisas totalmente diferentes. Iria contra a minha fé nos orixás, em qualquer momento, fazer o mau ou provocar algum tipo de acidente.

Já o babalorixá da Nação Angola, da Raiz Bate-Folha, Jorge Narciso Duarte, da casa de santo Iatemiquiamazia, disse ao OBatuque.com que a maioria das escolas pede orientação espiritual, inclusive ele já deu orientação a um compositor do Salgueiro em determinado ano, e que essa orientação é fundamental para que tudo dê certo no dia do desfile. Jorge afirmou ainda que o orixá não é vingativo, porém exige respeito.

jorge duarte2- Na maioria das vezes, as escolas, que vão fazer esse tema, têm um respaldo do pai ou da mãe de santo, ou mesmo procuram através de pessoas sérias se é permitido. Então, são feitos agrados, comidas, oferendas de qualquer tipo que permita que a escola passe, desenvolva, faça um trabalho sem deboche, sem menosprezar o orixá e sem fazer firula. Agora, algumas pessoas fazem por conta própria. Não sei se a Tuiuti foi por isso. E outra coisa: os acidentes acontecem normalmente, talvez porque a pessoa é descrédula, não queira fazer, não admita fazer a orientação que a mãe de santo ou o pai de santo deu a ela. A Beija-Flor sempre mexeu com isso através de orientações de mães e pais de santo, porque o Laíla é um conhecedor profundo da religião. Nós já fizemos duas vezes lá na casa de santo para o próprio Salgueiro, inclusive um samba-enredo, dando orientação ao compositor que foi lá nos pedir ajuda. Então, é aquele negócio: você tem que fazer a coisa dentro dos padrões. Ninguém vai fazer sem o conhecimento de causa, senão você vai dar com os burros n´água. Nós mesmos, que somos da religião, para brincar, pular, sair no carnaval temos as nossas obrigações e as nossas responsabilidades, e muitas coisas são vetadas para a gente, por exemplo: este ano, os filhos de santo de lá não podiam sair de máscara, não podiam beber bebida quente, só a cerveja. Para sair, tinham que tomar um banho. Para quem foi viajar, uma outra obrigação, e assim vai. Ossain é um orixá das folhas, das ervas, inclusive é o orixá da cura através das folhas medicinais, e todo o africano, todas as pessoas usam para se curar, para banhos, para descarrego… E infelizmente confundiram ela com o saci, que não tem uma perna. O orixá não é vingativo, ele simplesmente não gosta que o desrespeite. Não sei, mas dizem que a União da Ilha foi fazer um tema muito complexo, um orixá que pouca gente conhece, que é sobre Tempo. Eu não sei se tem orientação de alguma pessoa com capacidade e com respeito para fazer esse tema complexo. Tempo é o rei de Angola. Seis meses ele é terra e seis meses ele é vento, ele é ar.

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    Confira a programação que ocorrerá o dia todo:

    11h - Missa no interior da quadra;

    em seguida: 

    tradicional queima de fogos no estacionamento da quadra;

    feijoada na quadra;

    show da Velha Guarda musical;

    show do grupo Samba do Amigo Meu e Dudu Nobre;

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    bateria do Mestre Ciça e Ito Melodia com sambas inesquecíveis.

  • Hoje, 6 de abril, finalmente conhecemos a campeã, ou melhor, as campeãs do carnaval

    Por Ricardo Maia
    Foto: Luis Leite

    Indiscutivelmente a Mocidade fez um desfile digno de campeã. A meu ver, em relação à plasticamente, foi a melhor escola que passou na avenida. Algumas vertentes da forma que esse título é que me causam alguma surpresa.

    Não me lembro em outros carnavais de uma campeã da avenida ter sido aclamada em plenária. A reunião também teve um comportamento atípico. Das 13 escolas com direito a votos, cinco resolveram de abster. E as cinco consideradas escolas de ponta. Como pode quase a metade do grupo, e justamente as que sempre disputam títulos se absterem de uma decisão tão importante para o futuro do carnaval? Com exceção da Mangueira, as outras sete escolas consideradas, digamos, o segundo escalão do Grupo Especial, votaram a favor. Jogo de interesses? Acordo de amigos?

    Entendam-me. Não estou desqualificando o título da Mocidade, que poderia perfeitamente ter sido aclamada campeã na abertura dos envelopes. Estou avaliando a forma que esse título foi conquistado.

    Em 1980, a última vez que foi decretado empate, os jurados deram notas máximas para as três escolas campeãs, não havendo possibilidade de desempatar. Mas 2017 foi bem diferente.

    Título dividido? Mas por quê? Como assim? Baseado em quê?

    Se o décimo tirado da Mocidade foi devolvido, ela teria 269,9 pontos, terminando empatado com a Portela. Porém temos quesitos de desempates. Vamos avançando sobre eles... enredo mestre-sala e porta-bandeira, harmonia, evolução... até aí as duas seguiriam empatadas com 30 pontos. Então chegamos ao quesito comissão de frente: Mocidade 10, 10, 10, Portela 10, 10, 9,9. Pronto, a Mocidade seria campeã pelo desempate.

    Todavia a Liesa declarou empate. Que empate é esse? Se considerarmos o julgamento pelas notas dos jurados na pista, deu Portela, se formos pelas notas das justificativas, deu Mocidade. Empate jamais. De maneira alguma daria empate.

    Mas a plenária da Liesa declarou empate. Tirou da cartola um empate totalmente inventado. Jogou na lama a credibilidade dos desfiles. Em troca de não sei o quê.

    O Carnaval 2017 vai ficar marcado como o carnaval das viradas de mesas. Primeiro ninguém desce, depois as campeãs ficam empatadas, mesmo o regulamento permitindo um desempate real.

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    Vamos aguardar, mas ainda tento acreditar que "vale o que está escrito!"

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    E essa medida se faz em virtude do seu pensamento: “Já passei por vários cargos no meu império Serrano. Já ocupei cargo de vice-presidente, de diretor musical, harmonia. Fiz vários ensaios técnicos na quadra da escola, sempre com muito carinho e respeito com os componentes”, mas agora chegou a hora de junto com a família imperiana, e todo o povo do samba brigar pelo direito legitimo de junto a eles comandar a nossa escola”.

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