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O papel importante das alas comerciais

Publicado em Grupo Especial
Terça, 07 Fevereiro 2017 11:37

Por Ricardo Maia
Fotos: Irlana Mesquita

 

Os preparativos para os desfiles das escolas de samba do carnaval do Rio de Janeiro estão na reta final. Para aprontar as fantasias das alas das comunidades, o relógio é o principal adversário. No entanto o que algumas pessoas desconhecem é que cerca de 30% das fantasias não são confeccionadas nos barracões das agremiações como pode parecer.

Nem todas as escolas vestem suas comunidades em sua totalidade, pois há um grupo de foliões, que apesar da imensa vontade em desfilar por sua escola preferida, todavia, por diversos motivos, não podem participar dos ensaios semanais das alas de comunidade e, consequentemente, de uma forma ou de outra não são credenciados a desfilar gratuitamente.

É nesse momento que entram em cena as alas comerciais. Consideradas por muitos o “patinho feio”, e por outros como “estratégicas”, é um ledo engano achar que elas são compostas por foliões que não cantam e nem dançam. Boa parte desses componentes chega à avenida com o samba na ponta da língua e com a garra de um guerreiro para desfilar, defendendo as cores da escola com afinco.

Visto pelo lado financeiro, essas alas são muitas das vezes uma válvula de escape para escolas em dificuldades para colocar o carnaval na avenida. Além de pagarem pelo "protótipo" - que nada mais é que um modelo da fantasia a ser reproduzida - um valor dispendioso, o presidente de ala arca com todas as despesas de confecção e dos materiais dessas fantasias, tirando do orçamento da escola o custo dessas roupas. A conta é bem simples: se uma escola colocar dez alas comerciais, estará "se livrando" do custo de confecção de 1.000 fantasias.

Para entender melhor o posicionamento dos presidentes dessas alas comerciais, OBATUQUE.COM visitou duas das mais tradicionais alas do carnaval carioca: a Estrela Guia, da Mocidade Independente de Padre Miguel, e a Raízes, da Portela.

IMG 20170207 WA0010 1IMG 20170207 WA0023Com mais de 40 anos no carnaval carioca, a ala Estrela Guia, presidida por Cleide Alves, tem seu atelier montado em um bairro da zona norte do Rio. Entusiasta e participativa da festa de Momo, Cleide, que atua na Mocidade há 25 anos, afirma não se apavorar com nenhum trabalho por mais difícil que pareça.

Por vezes, os presidentes de ala se deparam com materiais difíceis de trabalhar e até prejudiciais, mas segundo Cleide, não pode se abater: "A palha, por exemplo, dá uma coceira, mas faz parte do africano. Passa uma pomadinha e continua o trabalho. Porque o resultado vai ficar lindo". Entretanto, a sua preferência fica evidente quando os olhos brilham, ao falar em montar arranjos de plumas, e se gaba com o resultado do trabalho: “Ninguém modela ou corta melhor que eu”.

Apaixonado pela azul e branco de Madureira, Luciano de Oliveira divide seu tempo entre o emprego e o atelier muito bem-montado no bairro de Tomaz Coelho. Fala com orgulho da sua ala criada por Seu Claudio, um dos fundadores da Portela.

Questionado sobre a importância das alas comerciais, Luciano lembra da função estratégica delas para os componentes apaixonados pela escola e que, por algum motivo, não podem participar dos ensaios. Ao entregar as fantasias, ele tem o cuidado de enviar junto um roteiro que informa ao componente detalhes de como ele deve se apresentar e se comportar na concentração no dia do desfile.

- Um dos grandes problemas que enfrentamos é com o tamanho das fantasias que muitas as vezes não cabem em um carro de passeio. Nosso componente tem que chegar com ela inteira na avenida, sob pena de ser retirado ainda na concentração, caso a fantasia esteja quebrada ou faltando pedaço. Na minha ala não entra mesmo, eu mesmo retiro - explicou Luciano.

IMG 20170207 WA0012IMG 20170207 WA0022De acordo ainda com o portelense, as alas comerciais precisam ser vistas pelas escolas como partes importantes do processo: "Os presidentes de alas são pessoas apaixonadas pela escola e que sempre buscam fazer o melhor por ela. Na verdade, eles deveriam receber o título de “Harmonia de Ala”, porque fazem exatamente o mesmo trabalho dos diretores de harmonia, que é motivar os componentes a dançarem e a cantarem forte o samba e manterem a disciplina dentro dos padrões de desfile exigido pelo regulamento”.

Outra dificuldade que os profissionais apresentaram é relativo aos valores das fantasias, que hoje são vendidas em média por R$ 1.500,00, no Grupo Especial. Para Luciano, algo precisa ser feito, como por exemplo trocar materiais mais baratos por outros que fazem o mesmo efeito visual:

- Um casal tem que disponibilizar cerca de R$ 3.000,00 para desfilar em uma escola. Esse valor está bem acima da realidade brasileira. Penso que uma fantasia deveria custar em torno de um salário mínimo e acredito que haveria condições para isso.

De acordo com ele, Paulo Barros é um carnavalesco bem maleável nesse sentido, um dos mais fáceis de trabalhar. Já Cleide, dificilmente pede a troca de um material utilizado no protótipo. E para baratear os custos, ela faz pessoalmente a compra do material, do corte e da modelagem, o que barateia, segundo ela, a mão de obra, além de garantir a qualidade do trabalho.

Apesar das “disputas sadias” na confecção das alas comerciais, e a árdua tarefa de colaborar, no dia a dia, em colocar mais um carnaval na rua, questionados sobre o que eles esperaram do resultado na Quarta-Feira de Cinzas, os dois têm posições bem definidas.

- A mocidade está linda, nós vamos ser campeões – apostou a otimista Cleide.

- Estou muito satisfeito com tudo que vem acontecendo com a Portela. A dignidade do portelense foi recuperada. Se você quiser ser campeão vem para a Portela! – ressaltou o entusiasmado Luciano.

Agora é aguardar para ver quem tem razão.

Última modificação em Quarta, 08 Fevereiro 2017 11:57

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    Uma série de encontros, com mesas redondas, com o intuito de relembrar tantos momentos vividos pela agremiação. O tema da primeira roda será as escolas que deram origem ao berço do samba, que contará com nomes de peso, como Adilson Almeida, herdeiro de seu Bacural, um dos fundadores da Unidos de São Carlos e oriundo da Vê se Pode, com recordações fascinantes dos antigos desfiles.
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  • Mocidade tem segunda data de recadastramento para a comunidade

    Foto: Eduardo Hollanda

    Após grande procura na primeira data de recadastramento, a Mocidade Independente de Padre Miguel oferece a segunda oportunidade para quem quiser desfilar nas alas de comunidade da agremiação em 2018. No próximo dia 6 de maio, das 10h às 18h na quadra, haverá o recadastramento para quem integrou uma das alas de comunidade no último carnaval e fez a devolução de sua fantasia.

    - A participação da nossa comunidade têm nos enchido de orgulho. Na primeira data já tivemos uma adesão muito grande. A tendência é que isso se repita agora. O componente da Mocidade entendeu muito bem a sua importância no nosso último ciclo de preparação. O resultado foi o título que não vinha há 21 anos e um grande desfile. Queremos mais! Podemos mais! E cada componente é importante nisso – afirma Marquinho Marino, diretor de carnaval.

    Os componentes que já se inscreveram na primeira data de recadastramento, dia 06 de abril, podem comparecer na quadra neste sábado, também das 10h ás 18h, para pegarem suas carteirinhas do Carnaval 2018

    Para se reinscrever, é preciso levar xerox do RG, CPF, comprovante de residência e uma foto 3×4, a outra será tirada no ato da inscrição. É necessário também pagar uma taxa no valor de R$ 40. Parte deste valor será destinado a confecção da carteirinha que dá acesso a todos os eventos de samba na quadra.

    O recadastramento é exclusivamente destinado a quem desfilou nas alas de comunidade em 2017, ano em que a Mocidade Independente conquistou o sexto título de sua história.

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